Economia digital aprofunda conexões entre China e Brasil

A expansão da economia digital vem criando novas formas de integração entre China e Brasil, com empresas chinesas ampliando sua atuação em áreas que vão do comércio eletrônico à logística e aos serviços financeiros. O movimento acompanha a transformação das relações econômicas entre os dois países, que passam a envolver não apenas o fluxo de mercadorias, mas também plataformas digitais, sistemas de entrega e soluções para operações comerciais.

Na China, os serviços digitais ocupam espaço crescente na economia. Nos primeiros sete meses de 2026, o comércio de serviços do país movimentou quase 4,45 trilhões de yuans, segundo dados oficiais chineses, com alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, o comércio eletrônico também mantém expansão, criando um mercado de grande interesse para empresas estrangeiras que combinam tecnologia, venda e distribuição em uma mesma plataforma.

Entre as companhias chinesas que ampliaram sua presença no país estão AliExpress, Huawei e Keeta. A AliExpress, plataforma do grupo Alibaba, firmou em maio um memorando de entendimento com os Correios para ampliar a cobertura de entregas no território brasileiro. A Keeta, marca internacional da Meituan, iniciou operações em São Paulo em dezembro de 2025, enquanto a Huawei ampliou sua atuação no mercado brasileiro também com a abertura de uma loja física na capital paulista.

A expansão chega à logística, setor em que empresas chinesas vêm incorporando tecnologias para tornar mais eficiente o transporte de mercadorias e a chamada última milha, etapa final da entrega. A entrada de plataformas digitais com operação local aproxima consumidores, vendedores, transportadoras e sistemas de pagamento, fazendo com que diferentes serviços passem a funcionar de forma integrada.

O setor financeiro também participa desse processo. O ICBC do Brasil, banco que atua como instituição de compensação do renminbi no país, oferece serviços para operações entre empresas brasileiras e chinesas. Em março, a instituição firmou acordo com a JD Industrials do Brasil, combinando serviços financeiros com soluções relacionadas a compras digitais e comércio internacional.

Esse processo de integração ocorre enquanto o Brasil também adapta seu ambiente regulatório às necessidades de uma economia mais conectada internacionalmente. O Banco Central informou que novas regras para determinadas operações em moeda estrangeira por pessoas jurídicas entrarão em vigor em outubro de 2026, incluindo possibilidades voltadas a empresas exportadoras e companhias brasileiras com participação direta de capital estrangeiro. A medida faz parte do processo de modernização das regras cambiais brasileiras.

A aproximação entre os dois mercados, portanto, ocorre em diferentes etapas de uma operação comercial. Um produto pode ser comercializado por uma plataforma digital, transportado por uma rede integrada de logística e ter sua operação financeira apoiada por instituições que conectam os sistemas dos dois países. Essa combinação amplia o papel da tecnologia nas relações econômicas bilaterais.

Para o Brasil, a expansão dessas empresas representa a chegada de novos serviços e ferramentas a um mercado de grande dimensão. Para as companhias chinesas, o país oferece espaço para internacionalização de modelos de negócios digitais desenvolvidos em uma das maiores economias digitais do mundo. A tendência indica que a relação China-Brasil passa a incorporar, cada vez mais, uma dimensão digital que acompanha o crescimento dos fluxos comerciais e de investimentos.

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