Sob risco de demissão, Ernesto Araújo enfrenta tempestade perfeita com China, Índia e EUA

  • Mariana Sanches – @mariana_sanches
  • Da BBC News Brasil em Washington
O chanceler Ernesto Araújo enfrenta risco de demissão / Marcos Corrêa/Presidência da República

Na quarta-feira (27/01), enquanto o vice-presidente Hamilton Mourão afirmava que o chanceler Ernesto Araújo deverá deixar o comando do Ministério das Relações Exteriores em breve, Araújo aplaudia e ria dos insultos que o presidente Jair Bolsonaro disparava contra a imprensa em uma churrascaria de Brasília.

Os eventos podem parecer contraditórios, mas exprimem a encruzilhada no destino de Araújo. O chanceler, visto como um dos últimos representantes da pauta ideológica de Bolsonaro na Esplanada, é também o executor de uma política externa que começa a trazer dificuldades palpáveis aos interesses econômicos e sanitários nacionais.

Nas últimas semanas, isso se traduziu em falta de proximidade diplomática que destravasse o envio da China e da Índia de doses de vacina e de insumos para produzir centenas de milhões de imunizantes no Brasil, além da escassez de pontos de diálogo com o recém-empossado governo democrata de Joe Biden, que já anunciou a agenda ambiental como um dos pontos centrais de seu governo.

Como resultado, a demissão de Araújo virou uma demanda de grupos políticos cada vez mais diversos. Se, por um lado, ele é um ativo ideológico de Bolsonaro, por outro, passou a representar um risco eleitoral em um país com 220 mil mortes na pandemia e em crise econômica.

Essa é a avaliação de quase uma dezena de embaixadores e diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil, tanto no país quanto no exterior. A maior parte deles preferiu discutir o assunto anonimamente por receio de retaliações políticas.

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