COTAÇÕESCNY/BRL 0,7588USD/BRL 5,1220Atualização automática
(function(){if(window.innerWidth<1200)return;var slot=document.querySelector('.abc-fx-topbar-slot');if(slot&&slot.parentElement)slot.parentElement.classList.add('abc-logo-row');slot.parentElement.style.setProperty('height','130px','important');slot.parentElement.style.setProperty('min-height','130px','important');slot.parentElement.style.setProperty('box-sizing','border-box','important');fetch('/category/bilateral-pt/?abc_fx_source=1',{credentials:'same-origin'}).then(function(r){return r.text()}).then(function(t){var d=new DOMParser().parseFromString(t,'text/html');var b=Array.prototype.slice.call(d.querySelectorAll('.td_block_exchange')).filter(function(x){return x.querySelector('.td-rate-cny')})[0];if(!b)return;var c=b.querySelector('.td-rate-cny'),u=b.querySelector('.td-rate-usd');var cv=c&&c.nextElementSibling?c.nextElementSibling.textContent.trim():'';var uv=u&&u.nextElementSibling?u.nextElementSibling.textContent.trim():'';if(cv)document.querySelector('[data-abc-fx="cny"]').textContent=cv;if(uv)document.querySelector('[data-abc-fx="usd"]').textContent=uv}).catch(function(){})})();
15.8 C
São Paulo
segunda-feira - 26 outubro 2026 - 17:29
Início Brasil A Amazônia do Povo Vermelho Resiste

A Amazônia do Povo Vermelho Resiste

Estilizar a vida e a arte folclórica na selva remete-nos a um olhar sobre o Festival Folclórico de Parintins, no coração da Amazônia, envolvendo as agremiações dos Bumbás Garantido e Caprichoso, das cores vermelha e azul, respectivamente. Trata-se de uma estética da floresta com seus mitos, lendas e rituais da tradição dos povos amazônicos. O Boi Bumbá Garantido traz neste ano de 2022 o tema *Amazônia do Povo Vermelho*, após uma pandemia que matou e que não podemos tergiversar em seu enfrentamento, mas cujos significados e simbologias assentam-se, justamente, na força e resistência sociocultural dos povos indígenas, nordestinos e afrodescendentes.

A Amazônia é a casa dos povos ameríndios, sujeitos que sobreviveram às chamadas guerras justas, aos descimentos e que escaparam do genocídio promovido pelos colonizadores. Eles chegaram  no sec. 19 para trabalhar nos seringais, juntaram-se aos indígenas e à população negra que habitava a região.

Estes nordestinos tornaram-se acidentalmente nativos como anuiu Araújo Lima (1975). Trouxeram sua culinária, seu folclore, sua religiosidade popular, as formas tradicionais de lavrar a terra, enfim, vieram com seus corpos de trabalho resistentes ao sol causticante. Trouxeram seu imaginário social contendo histórias míticas, lendárias, os causos, sua cantoria: forró, xaxado, merengue e outros. Todos esses valores amalgamaram-se à cultura indígena em estreita relação com a terra/floresta/água.

A Amazônia, pátria indígena, negra, revolucionária, é aquela que entoa um canto poético à resistência, uma celebração à luta, ao espírito cabano. É a região agredida e explorada pelo capital e que se recusa a entregar sua soberania. É a Amazônia do povo vermelho que encontra forças no útero da Mãe-Terra, da Pachamama, que evoca seus ancestrais e que tem uma relação de afetividade e pertencimento com os  rios e a  floresta. Esse sentimento de amor com a sua terra é demonstrado por Davi Kopenawa (2015), ao afirmar: “nasci nesta floresta e sempre vivi nela”. Toda a existência dos povos nativos é cingida pelo trabalho, como também por um acervo cultural associado a uma mística que envolve as danças, os ritos e toda uma rede de significados e simbologias. Nas festas, as danças tem um sentido místico que une fé e vida, sendo a colheita e a prosperidade evocadas aos pés de suas entidades sagradas.  O Boi Vermelho faz evocar no espetáculo o imaginário amazônico das ecantarias, das narrativas selvagens, das histórias contadas, os bichos visagentos, mitos e lendas, com manifestações simbólicas de variadas  cepas e expressões. É a região étnica dos 140 povos indígenas autoidentificados; mais de dois mil  quilombos e centenas de comunidades tradicionais. São os povos vermelhos que se transmutam em cores pintando seus corpos com jenipapo, urucu, enfeitando-o com plumagens, ramagens, cocares, para demarcar a diferença étnica. A Amazônia dos peles vermelha é aquela da acolhida aconchegante, do sorriso fácil, dura e doce, mas é também aquela do derramamento de sangue dos trabalhadores que lutam por seus territórios. O povo vermelho é o verdadeiro dono da Amazônia, seu mundo, sua teogonia e cosmogonia. Esquecidos pelas políticas públicas, produzem a sua própria existência com criatividade e inteligência numa autopoiesis (MATURANA, 2001). São mulheres e homens que acreditam na utopia de um mundo melhor, num amanhã que ainda canta. Um ágape que transcende a si próprio para alcançar o outro, com sonhos e esperança, rumo à terra sem males.

Texto por: Antônio Andrade, Presidente da Agremiação do Boi Garantido e Iraildes Caldas Torres, Professora da Universidade Federal do Amazonas. Doutora em Antropologia Social. Diretora da DGE -Direção Geral de Espetáculo do Garantido.