(Agência/Redação, Mojiang, Yunnan, 27 de abril) — O que acontece quando o Trópico de Câncer atravessa uma cidade no sudoeste da China? Em Mojiang, a resposta combina fenômenos naturais, tradições culturais e iniciativas econômicas. Durante a atividade “Yunnan Colorida: Mídias Chinesas no Exterior Apresentam ao Mundo”, representantes da imprensa internacional visitaram o Parque Marco do Trópico de Câncer, considerado o maior complexo temático do mundo dedicado a essa linha geográfica.

Construído em 1993 e localizado na região oeste da cidade, o parque ocupa uma área de mais de 13 hectares. Ao longo do traçado do Trópico de Câncer, estão distribuídas atrações como o Portal do Trópico, a Avenida do Sol, o planetário e a Praça da Lua, integrando elementos de astronomia, geografia, arquitetura paisagística e cultura do povo Hani.

Fenômeno astronômico: o “poste sem sombra”
Ao meio-dia do solstício de verão, o sol incide perpendicularmente sobre o Trópico de Câncer, criando o fenômeno conhecido como “poste sem sombra” — quando objetos verticais não projetam sombra visível. Embora a visita não tenha coincidido com a data, os participantes puderam conhecer o fenômeno por meio de simulações no planetário. A região também apresenta características únicas, como a transição entre zonas climáticas tropical e subtropical.
A “cidade dos gêmeos” e suas tradições
Mojiang é conhecida como a “cidade dos gêmeos”, com mais de 1.200 pares registrados. A presença do Trópico de Câncer e a água de um poço local, conhecido como “poço dos gêmeos”, estão associadas, na cultura popular, ao aumento da probabilidade de nascimentos gemelares. Todos os anos, em maio, a cidade realiza um festival internacional de gêmeos, atraindo visitantes de diversas partes do mundo.
Café e desenvolvimento local
Em 2025, o parque passou a abrigar o café “Shuangshengdou”, fruto de uma parceria com uma empresa local. O espaço combina temas como astronomia, cultura dos gêmeos e tradições locais com a cultura do café e iniciativas comunitárias.
Com cerca de 168 metros quadrados, o café incorpora elementos visuais da etnia Hani e símbolos do Trópico de Câncer. Do lado de fora, um mirante permite aos visitantes apreciar a paisagem enquanto degustam o café arábica de Yunnan.
A marca adota um modelo de produção integrado, que abrange desde o cultivo até o preparo da bebida. Além disso, o projeto envolve comunidades locais por meio de parcerias entre empresa, cooperativas rurais e agricultores, contribuindo para geração de renda e desenvolvimento regional.
A experiência de Mojiang mostra como elementos naturais, cultura local e atividades econômicas podem ser integrados em um modelo de desenvolvimento sustentável. Embora o Brasil também seja atravessado pelo Trópico de Capricórnio, iniciativas que combinam ciência, turismo e desenvolvimento comunitário nesse nível ainda são raras.
Mais do que um ponto geográfico, Mojiang oferece uma narrativa que une natureza, tradição e inovação — do fenômeno solar à hospitalidade do povo Hani, passando pelo simbolismo dos gêmeos e pelo aroma do café cultivado no planalto de Yunnan.












