26.3 C
São Paulo
segunda-feira - 27 julho 2026 - 16:24
Início Brasil Exportações brasileiras ampliam presença na China, Europa e Índia e reforçam estratégia...

Exportações brasileiras ampliam presença na China, Europa e Índia e reforçam estratégia de diversificação comercial

Avanço das vendas para mercados estratégicos compensa com folga a retração das exportações aos Estados Unidos e evidencia a expansão da presença internacional dos produtos brasileiros.

5

O crescimento das exportações brasileiras para a China, Europa e Índia no primeiro semestre de 2026 foi oito vezes superior à redução das vendas destinadas aos Estados Unidos, refletindo os avanços da estratégia brasileira de diversificação comercial diante do endurecimento das tarifas norte-americanas.

Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), as exportações para os Estados Unidos recuaram aproximadamente US$ 2,6 bilhões no primeiro semestre do ano, como consequência das tarifas impostas por Washington.

Apesar dessa redução, o desempenho em outros mercados compensou amplamente as perdas. As exportações brasileiras para a Europa cresceram US$ 3,1 bilhões, as vendas para a Índia aumentaram US$ 2,5 bilhões e as exportações destinadas à China registraram um acréscimo de US$ 10,5 bilhões.

De acordo com o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o cenário confirma o fortalecimento da estratégia nacional de ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados e reduzir a dependência de um único parceiro comercial.

Como parte dessa estratégia, a ApexBrasil anunciou um plano de investimentos de R$ 130 milhões (US$ 25,5 milhões), que será lançado em agosto em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e 57 setores econômicos do país, envolvendo cerca de 2.400 empresas exportadoras.

O anúncio ocorre após os Estados Unidos confirmarem uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. O governo brasileiro rejeita as justificativas apresentadas por Washington, classificando as medidas como de motivação política, ao mesmo tempo em que reforça sua política de diversificação dos mercados internacionais.

Segundo Müller, a iniciativa busca acelerar a expansão comercial brasileira em regiões consideradas estratégicas. Entre as prioridades estão a União Europeia, impulsionada pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia; os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã; além de economias da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.

O presidente da ApexBrasil destacou que esses mercados apresentam elevado ritmo de crescimento econômico, população jovem e demanda crescente por produtos brasileiros, abrindo novas oportunidades para empresas afetadas pelas restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Müller acrescentou que as negociações comerciais conduzidas pelo Mercosul com países como Índia, Japão e Canadá poderão ampliar ainda mais os destinos das exportações brasileiras nos próximos anos.

A ApexBrasil informou ainda que o processo de diversificação já vinha sendo desenvolvido desde a implementação das primeiras tarifas norte-americanas em 2025. Entre junho daquele ano e maio de 2026, 72% das aproximadamente 2.400 empresas apoiadas pela agência que exportam para os Estados Unidos conquistaram ao menos um novo mercado internacional para seus produtos.

Segundo Müller, alguns segmentos conseguirão ampliar rapidamente sua presença em novos mercados, enquanto outros dependerão de estratégias de médio e longo prazo para desenvolver demanda. Como exemplo, citou determinados tipos de rochas ornamentais brasileiras, que ainda são pouco conhecidos pelos compradores chineses e exigem maior promoção comercial.

O dirigente também ressaltou que o Brasil consolidou sua posição como fornecedor confiável e parceiro estável no comércio internacional. Nesse contexto, destacou que o país recebeu US$ 77 bilhões em investimento estrangeiro direto em 2025, crescimento de 22% em relação ao ano anterior, tornando-se o quinto maior destino mundial desses investimentos e o principal receptor de investimentos chineses entre as economias emergentes.