A 26ª Feira Internacional de Investimento e Comércio da China, em Xiamen, colocou a composição do investimento estrangeiro no centro das discussões sobre a economia chinesa. O recado dos dados mais recentes é que, mesmo com queda no volume total utilizado, a entrada de capital em atividades de alta tecnologia ganhou peso e avançou em ritmo bem superior ao agregado.
De janeiro a julho, a China utilizou 438,33 bilhões de yuans em investimento estrangeiro direto, queda de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Ministério do Comércio. No mesmo intervalo, o investimento utilizado em indústrias de alta tecnologia somou 182,31 bilhões de yuans, alta de 32,7%, equivalente a 41,6% do total.
Os números ajudam a explicar por que tecnologia, inovação e serviços avançados aparecem como temas centrais na feira de Xiamen. O evento também recebeu a divulgação de relatórios sobre investimento transnacional e tendências globais, em um contexto no qual investidores avaliam não apenas o tamanho do mercado chinês, mas a capacidade local de pesquisa, produção e integração a cadeias tecnológicas.
Dentro da alta tecnologia, os destaques oficiais foram os serviços de pesquisa e desenvolvimento e de design, os serviços de transformação de resultados científicos e tecnológicos e a fabricação de equipamentos eletrônicos e de telecomunicações. Essas áreas registraram, respectivamente, crescimentos de 72,1%, 62,2% e 39,9% no investimento utilizado nos sete primeiros meses do ano.
O contraste com o dado agregado exige leitura cuidadosa. A queda no total de investimento estrangeiro não significa que todos os setores tenham perdido atratividade, nem que cada anúncio de investimento se converta imediatamente em produção. A estatística de investimento utilizado mede a efetivação de recursos, enquanto decisões corporativas podem ser tomadas antes e executadas em etapas. O avanço concentrado em alta tecnologia mostra, sobretudo, uma mudança de composição.
Para empresas brasileiras que acompanham a China como mercado, fornecedor ou parceira industrial, a tendência é relevante. Um ambiente que recebe mais recursos em pesquisa, design, equipamentos e serviços tecnológicos pode ampliar a oferta de soluções para manufatura, energia, agricultura e logística. Também pode elevar a competição em segmentos nos quais empresas chinesas atuam globalmente, inclusive na América Latina.
O perfil dos investimentos estrangeiros é acompanhado de perto por grupos multinacionais porque envolve acesso a fornecedores, engenharia local, redes de distribuição e desenvolvimento de produtos. Na feira, representantes empresariais citaram a importância de operações localizadas e de pesquisa próxima ao mercado, fatores que vão além do valor financeiro registrado em cada período.
A China adotou neste ano medidas para estabilizar e otimizar o uso de investimento estrangeiro, com foco em acesso ao mercado, procedimentos e serviços a investidores. A evolução dos próximos meses mostrará se o crescimento da alta tecnologia se sustenta e se compensa parte da fraqueza observada no total. Por ora, os dados até julho indicam que o capital estrangeiro está se tornando mais seletivo e mais orientado a atividades de maior conteúdo tecnológico.



