A China reiterou sua oposição às vendas de armas dos Estados Unidos para Taiwan depois que a ilha recebeu os dois primeiros caças F-16 Block 70 de um lote de 66 aeronaves adquirido de Washington. A posição foi apresentada em 6 de outubro pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, em resposta a perguntas de jornalistas.
Segundo Guo, a posição chinesa sobre as vendas de armamentos americanos a Taiwan é “clara” e permanece firmemente contrária a esse tipo de transação. O porta-voz afirmou ainda que os Estados Unidos devem implementar os entendimentos alcançados pelos presidentes dos dois países, respeitar o princípio de Uma Só China e os três comunicados conjuntos sino-americanos, além de tratar a questão de Taiwan com cautela.
A declaração ocorreu dois dias depois da chegada dos primeiros dois F-16 Block 70 a Taiwan. De acordo com o Ministério da Defesa de Taiwan, as aeronaves chegaram em 2 de outubro à base aérea de Chihhang, em Taitung. O país adquiriu 66 unidades do modelo dos Estados Unidos, e as demais entregas estão previstas no cronograma do programa.
A compra dos F-16 foi aprovada pelos Estados Unidos em 2019. Na época, o governo de Taiwan informou que o acordo envolvia 66 novas aeronaves e que os caças seriam incorporados à sua capacidade de defesa aérea.
A questão das vendas de armas a Taiwan é um dos pontos recorrentes de divergência nas relações entre Pequim e Washington. O governo chinês considera Taiwan parte de seu território e classifica a questão como assunto interno, enquanto os Estados Unidos mantêm relações não oficiais com a ilha e fornecem equipamentos militares para sua defesa.
Em setembro, Pequim já havia anunciado contramedidas contra 20 empresas militares americanas e dez executivos envolvidos, segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês. A medida foi apresentada pelo governo chinês como resposta a uma nova rodada de vendas de armas a Taiwan.
A declaração de Guo também ocorre em um momento de discussões sobre a relação entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. O porta-voz afirmou que Washington deve observar os entendimentos alcançados pelos dois líderes ao tratar da questão de Taiwan.
A entrega dos F-16 ocorre ainda enquanto Taiwan aguarda outros equipamentos militares adquiridos dos Estados Unidos. Segundo informações recentes da imprensa internacional, Washington também analisa um novo pacote de armas para a ilha, estimado em US$ 14 bilhões, embora sua aprovação esteja sujeita às decisões do governo americano.
Para Pequim, a questão central permanece a mesma: impedir que o fornecimento de armamentos e o aprofundamento da cooperação militar entre Washington e Taiwan alterem sua posição sobre a soberania da ilha. “A questão de Taiwan é assunto interno da China”, afirmou Guo, acrescentando que sua resolução não admite interferência externa.



