China define prioridades para ampliar acesso à saúde até 2030

A China deve concentrar esforços em prevenção de doenças e atendimento de saúde próximo às comunidades durante o período de 2026 a 2030. A orientação foi apresentada pelo presidente Xi Jinping em uma reunião nacional sobre saúde, realizada em Pequim nos dias 12 e 13 de outubro. Segundo a agência estatal Xinhua, publicada no portal do governo chinês, Xi pediu “avanço decisivo” na iniciativa China Saudável durante o atual Plano Quinquenal.

A política, conhecida como China Saudável 2030, é uma estratégia nacional que reúne ações de saúde pública, prevenção, atendimento médico, seguro-saúde e promoção de hábitos saudáveis. Seu marco foi o plano publicado em 2016 pelo governo central, com metas para indicadores de saúde e medidas relacionadas, entre outros temas, a doenças crônicas, atividade física, alimentação, saúde materno-infantil e ambiente. A versão oficial do plano previa expectativa de vida média de 79 anos em 2030. O novo plano quinquenal atualizou essa meta para 80 anos: a média informada pelo governo foi de 79,25 anos em 2025.

Na reunião de outubro, Xi afirmou que a prevenção deve ser prioridade e defendeu fortalecer o sistema de controle de doenças, organizar melhor os serviços e facilitar o acesso a atendimento perto de casa. A Xinhua informou que mais de 90% dos moradores conseguem chegar a serviços médicos próximos em até 15 minutos e que instituições de nível primário respondem por mais da metade das consultas no país. Esses números foram apresentados pelo governo chinês; por si só, não medem a qualidade do atendimento nem demonstram os efeitos da política sobre a saúde da população.

A ideia de “China Saudável” não designa um tratamento ou uma campanha isolada. Na prática, combina prevenção e vigilância de doenças com atendimento contínuo, diagnóstico e tratamento, além de medidas que afetam as condições de vida e os fatores de risco. O plano do Conselho de Estado para 2026–2030, divulgado em julho, também estabelece metas e ações específicas, entre elas reduzir a proporção de fumantes com 15 anos ou mais a 20% e reforçar serviços de prevenção e tratamento nas unidades de nível primário. São objetivos oficiais para o período, não resultados já alcançados.

A atenção primária — primeiro contato da população com o sistema de saúde, com capacidade de acompanhar pacientes e encaminhá-los a especialistas quando necessário — é apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma base para ampliar o acesso a prevenção, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. A entidade estima que uma abordagem de atenção primária pode oferecer cerca de 90% dos serviços essenciais de saúde e contribuir para 75% dos ganhos de saúde projetados nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. São estimativas globais, não previsões específicas para a China. A Declaração de Astana, apoiada pela OMS em 2018, também defende sistemas de atenção primária como caminho para ampliar a cobertura universal de saúde.

O potencial de prevenção e atendimento próximo à comunidade depende de execução, financiamento, profissionais disponíveis, qualidade dos serviços e acesso equitativo. Portanto, os benefícios descritos pela OMS ajudam a contextualizar a estratégia, mas não comprovam, por si, que as metas chinesas serão atingidas. O dado de expectativa de vida de 79,25 anos em 2025 e os indicadores de acesso citados na reunião são resultados reportados pelo governo chinês; as metas para 2030 permanecem compromissos futuros.

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