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terça-feira - 25 agosto 2026 - 10:03
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Invest RS abre representação na China e mira capital para tecnologia, energia e agronegócio

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Bandeiras do Brasil e da China; foto de arquivo da Agência Brasil, republicada por Brasil 247

O Rio Grande do Sul está ampliando sua presença econômica na China com o início de uma representação da Invest RS em Xangai. A estrutura foi concebida para criar um canal permanente com investidores, empresas e instituições financeiras chinesas, além de apoiar companhias gaúchas interessadas em desenvolver negócios no maior mercado asiático.

O lançamento foi programado para 25 de agosto, durante uma missão com compromissos em Xangai e Pequim. A agenda reúne representantes da Invest RS, universidades, ambientes de inovação e empresas. O Tecnopuc, parque científico e tecnológico da PUCRS, participa da viagem entre 24 e 31 de agosto, com visitas a distritos de inovação, companhias e instituições acadêmicas.

Presença antes da decisão de investimento

Em artigo publicado pelo jornal Zero Hora, o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, explicou que a agência pretende acompanhar os centros onde as decisões de investimento são tomadas, em vez de esperar que os projetos cheguem ao Brasil já definidos. Reportagens de GZH, Notícias Agrícolas e Brasil 247 confirmaram a criação da representação e os setores prioritários da iniciativa.

O modelo inicial deverá funcionar por meio de parceiros especializados em representação institucional e empresarial. Em uma etapa posterior, a agência avalia desenvolver uma estrutura própria. A escolha por Xangai aproxima o Estado de um dos principais centros financeiros, industriais e logísticos da China, mas a missão também inclui atividades em Pequim.

Tecnologia e indústria além das commodities

A China é o principal destino das exportações gaúchas. Segundo dados apresentados pela Invest RS, as vendas do Rio Grande do Sul ao mercado chinês alcançaram US$ 5,1 bilhões em 2025. O agronegócio, especialmente grãos e proteínas animais, continua ocupando posição central nessa relação.

A nova representação, porém, busca ampliar a pauta. Entre as áreas identificadas para atração de investimentos estão energias renováveis, indústria automotiva e metalmecânica, máquinas agrícolas, saúde, semicondutores, tecnologia e serviços digitais. São setores nos quais o Estado procura combinar sua base produtiva, universidades, mão de obra qualificada e capacidade de inovação com o processo de internacionalização de empresas chinesas.

Prikladnicki informou que a agência trabalha com uma carteira de cerca de 80 projetos, que reúne aproximadamente R$ 35 bilhões em investimentos projetados. A presença na China pode ajudar a apresentar esses ativos de forma continuada, responder dúvidas regulatórias e aproximar potenciais investidores de governos locais, universidades e empresas gaúchas.

O desafio será converter contatos em projetos

A representação não garante, por si só, a chegada de capital. A conversão de contatos em fábricas, centros tecnológicos ou novas operações comerciais dependerá de estudos, licenças, financiamento, infraestrutura e negociação entre empresas e autoridades. Também será necessário demonstrar quais projetos têm escala, demanda e segurança jurídica suficientes para competir com oportunidades oferecidas por outras regiões.

Para empresas do Rio Grande do Sul, a estrutura pode funcionar em duas direções: atrair parceiros chineses e oferecer apoio para entrar no mercado asiático. Isso inclui compreender cadeias de distribuição, requisitos técnicos, hábitos de consumo e possíveis alianças locais. A participação do Tecnopuc reforça o interesse em conectar a agenda comercial com pesquisa, inovação e formação de talentos.

O movimento gaúcho acompanha uma tendência mais ampla de estados brasileiros que buscam relações próprias com a China. O resultado será medido menos pelo número de reuniões e mais pelos investimentos efetivamente contratados, pelas exportações adicionais e pelos projetos tecnológicos capazes de gerar produção e empregos no Estado.

Foto de arquivo. Crédito da imagem: Agência Brasil — utilizada mediante cooperação autorizada com Brasil 247. Direitos da imagem: Agência Brasil. Para correção de crédito ou questões de direitos, entre em contato com a redação pelo canal “Contato”.