O Febraban Tech 2026 abre nesta segunda-feira, 24 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, com a inteligência artificial no centro das discussões sobre o futuro do sistema financeiro. O evento segue até quarta-feira e reúne bancos, empresas de tecnologia, autoridades, especialistas e fornecedores para debater como agentes inteligentes, novas arquiteturas digitais e automação podem aumentar a produtividade sem comprometer a confiança dos clientes.
O tema desta edição, “Agentes inteligentes, liderança humana”, resume uma mudança de etapa. Depois de anos usando inteligência artificial principalmente em análise de risco, atendimento e detecção de fraude, os bancos começam a testar sistemas capazes de executar sequências de tarefas, consultar diferentes bases e tomar decisões operacionais sob supervisão humana.
Investimento cresce junto com o risco
Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte, o orçamento tecnológico do setor deve alcançar R$ 50,4 bilhões neste ano. O valor representa crescimento de 8% em relação a 2025 e de 58% em cinco anos. A expansão mostra que tecnologia deixou de ser apenas infraestrutura de apoio e passou a integrar diretamente os modelos de negócio.
A cibersegurança aparece como prioridade para todas as instituições pesquisadas, enquanto a inteligência artificial generativa é apontada por 84% dos bancos. As duas áreas estão conectadas. Quanto mais funções passam a ser automatizadas, maior é a necessidade de controlar identidade, permissões, acesso a dados e rastreabilidade das decisões. Um agente de IA com acesso excessivo pode ampliar rapidamente o impacto de uma falha ou de uma credencial comprometida.
Da assistência à execução
Assistentes digitais tradicionais respondem perguntas ou sugerem ações. Agentes inteligentes podem ir além: comparar produtos, preparar documentos, identificar inconsistências, encaminhar solicitações e acompanhar processos. No setor financeiro, essa capacidade pode reduzir tarefas repetitivas e acelerar o atendimento. Também cria novos deveres de governança, porque decisões que afetam crédito, investimentos ou pagamentos precisam ser explicáveis e auditáveis.
A programação inclui debates sobre identidade digital, conformidade, credibilidade, pagamentos, Open Finance, computação em nuvem, centros de dados, Drex, stablecoins, finanças incorporadas e sustentabilidade. Esses temas mostram que a transformação não depende de uma única tecnologia. Ela exige integração entre sistemas antigos, novas plataformas, regulação e profissionais preparados para supervisionar automações.
Confiança como vantagem competitiva
O setor bancário brasileiro já opera majoritariamente em canais digitais. Essa escala torna o país um laboratório relevante para novas soluções, mas também aumenta a exposição a golpes, engenharia social e ataques cibernéticos. Ao mesmo tempo, o uso de dados financeiros exige cuidados adicionais com privacidade e consentimento.
Para os bancos, a disputa não será apenas por quem lança primeiro um novo recurso de IA. A vantagem tende a ficar com instituições que combinem conveniência, segurança e transparência. Clientes precisam saber quando interagem com um sistema automatizado, quais dados são usados e como contestar uma decisão. Funcionários, por sua vez, precisam entender os limites das ferramentas e reconhecer situações que exigem intervenção humana.
Impacto além do sistema financeiro
As decisões tomadas pelos grandes bancos influenciam toda a economia digital. Padrões de identidade, APIs, pagamentos instantâneos e análise de risco acabam sendo adotados por varejistas, fintechs e plataformas de comércio eletrônico. Por isso, discussões do Febraban Tech interessam também a empresas que vendem serviços aos bancos ou dependem de infraestrutura financeira para operar.
A edição de 2026 reúne líderes das maiores instituições do país e especialistas internacionais em inovação e redes. A agenda confirma que a próxima fase da digitalização bancária será menos sobre adicionar telas a aplicativos e mais sobre coordenar sistemas inteligentes capazes de agir. O desafio será garantir que a velocidade da automação avance junto com segurança, responsabilidade e liderança humana.












