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sexta-feira - 21 agosto 2026 - 16:11
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Telefonema entre Lula e Trump aborda comércio, segurança e conflitos globais

Presidentes falaram por 1h20 nesta sexta-feira e concordaram em retomar negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos

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Foto: The White House/Daniel Torok

A Presidência da República divulgou, nesta sexta-feira (21), uma nota oficial sobre o telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o comunicado, a conversa, com duração de uma hora e vinte minutos, transcorreu em tom amistoso e cordial e abordou a relação bilateral e a agenda global.


A nota informa que Lula considerou infundadas as alegações usadas para justificar as novas tarifas impostas ao Brasil após investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos: desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos produzidos com trabalho forçado. O presidente brasileiro afirmou que as tarifas prejudicam os dois países e defendeu a continuidade das negociações e a preservação dos Estados Unidos como um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Trump concordou com a necessidade de manter vínculos comerciais fortes e propôs que as equipes voltassem a se reunir o mais breve possível.


Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação contra o crime organizado. Argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas, e afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos para enfrentá-los sem uma classificação especial. Citou a estratégia de asfixia financeira da criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões; os planos de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima; a Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes; e a proposta de emenda constitucional que amplia a atuação federal na segurança pública, em colaboração com os Estados. Mencionou ainda o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais dos países amazônicos. Trump se dispôs a reforçar a cooperação e a mobilizar funcionários de alto escalão.


Os presidentes também trataram dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos defenderam uma solução negociada para a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, próxima de completar cinco anos. Trump comentou as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, como havia sugerido aos presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão em busca de saídas diplomáticas. Segundo o comunicado, Lula afirmou que “os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.