Brasil leva carteira de portos e aeroportos à China em busca de novos investimentos

O Brasil iniciou uma nova rodada de aproximação com investidores chineses para ampliar a participação de capital privado em portos, hidrovias e aeroportos. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, começou em 24 de agosto uma agenda oficial em Pequim, com reuniões voltadas à apresentação da carteira federal de concessões e de projetos logísticos. A missão também prevê compromissos em Xangai e, posteriormente, em Singapura.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos e confirmadas por veículos como Poder360 e Estadão Conteúdo, o primeiro encontro foi com a CSCEC International, braço internacional da estatal China State Construction Engineering Corporation. A programação na capital chinesa inclui ainda reuniões com China Communications Construction Company (CCCC), China Merchants Port Holdings e COFCO, além de contatos com a Administração de Aviação Civil da China e com o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics.

Da construção à operação logística

A composição da agenda mostra que o governo brasileiro procura interlocutores para diferentes etapas dos projetos. CSCEC e CCCC têm atuação em engenharia e grandes obras; China Merchants e Hutchison Ports operam terminais portuários; COSCO Shipping participa das cadeias globais de transporte marítimo. Em Xangai, também estão previstos encontros com a Shanghai Dredging Company e a inauguração de uma representação do Porto Itapoá.

Até o momento, o governo não informou o valor total da carteira que será apresentada nem anunciou contratos fechados. A viagem deve ser entendida, portanto, como uma etapa de prospecção e negociação. Para que o interesse se transforme em investimento, serão relevantes a qualidade dos projetos, a segurança regulatória, as condições dos leilões, o financiamento e a previsibilidade das licenças e dos cronogramas.

Capital chinês ganha peso no Brasil

A missão ocorre após uma recuperação dos investimentos chineses no país. Dados do Conselho Empresarial Brasil-China citados pelo ministério indicam que empresas chinesas investiram US$ 6,1 bilhões no Brasil em 2025, aumento de 45% em relação ao ano anterior. O volume reforçou a posição brasileira entre os principais destinos do capital chinês no exterior.

Grande parte da relação bilateral ainda está associada a energia, mineração, agronegócio e indústria. A entrada mais ampla em portos, aeroportos e corredores logísticos pode criar uma conexão adicional entre investimento e comércio. Infraestrutura mais eficiente reduz custos de transporte para exportadores brasileiros e pode melhorar a integração entre regiões produtoras e mercados internacionais. Ao mesmo tempo, projetos de longo prazo exigem regras claras de governança, concorrência e repartição de riscos.

Agenda segue para Singapura

Depois da passagem pela China, a delegação deverá seguir para Singapura. A programação inclui a assinatura de um memorando entre o ministério brasileiro, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários e o Ministério dos Transportes de Singapura para desenvolver um corredor verde e digital de navegação. A proposta reúne descarbonização, digitalização de operações e cooperação portuária.

Para o Brasil, a viagem combina dois objetivos: captar recursos para modernizar a infraestrutura e aproximar o sistema logístico nacional das redes asiáticas de comércio. Os resultados concretos dependerão dos projetos que avancem para fases formais de negociação, licitação e contratação. Até lá, a agenda indica uma disputa mais ativa do país por investimento internacional em setores considerados estratégicos.

Imagem de capa: Ilustração gerada por IA / Agência Brasil China.

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