A cooperação tecnológica entre a China e outros países vem abrindo novas frentes para a transição energética e a gestão ambiental, com projetos que combinam infraestrutura, geração de eletricidade e redução do impacto ambiental. No Brasil, no Laos e na pequena nação insular de Nauru, diferentes iniciativas mostram como soluções chinesas estão sendo incorporadas a estratégias locais de desenvolvimento sustentável.
Um dos exemplos está em Barueri, na Grande São Paulo, onde está em construção uma unidade de recuperação energética de resíduos. O projeto utiliza tecnologia chinesa e terá capacidade para processar centenas de milhares de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, transformando parte desse material em eletricidade. A previsão é que a unidade entre em operação em 2027.
A participação chinesa no empreendimento ocorre também na engenharia e na implantação dos equipamentos. A PowerChina é responsável pelo contrato de engenharia, aquisição e construção, enquanto empresas chinesas fornecem tecnologias para a linha de incineração e tratamento dos gases. A unidade terá potência instalada próxima de 20 MW e deverá atender à demanda energética de centenas de milhares de pessoas.
A experiência de Barueri dialoga com uma indústria que ganhou grande escala na China. O país possui mais de mil unidades de recuperação energética de resíduos, segundo a Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren), e vem acumulando experiência na transformação de resíduos urbanos em eletricidade.
No Sudeste Asiático, outro exemplo é a ferrovia China-Laos, inaugurada em 2021. Por utilizar tração elétrica, a linha apresenta emissões de carbono mais de 70% inferiores às de locomotivas tradicionais movidas a diesel, segundo dados do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China. Além da eletrificação, o projeto incorporou medidas de proteção da fauna durante sua implantação.
No Pacífico, a cooperação entre China e Nauru também inclui a área energética. Um projeto de geração solar no país envolve a instalação de uma usina fotovoltaica de 6 megawatts, associada a um sistema de armazenamento de energia. Documentos do Banco Asiático de Desenvolvimento registram a participação das empresas chinesas China Harbour Engineering Company e HNAC Technology na construção e instalação do empreendimento.
Os projetos fazem parte de uma tendência mais ampla de internacionalização de tecnologias relacionadas à transição energética, que envolve não apenas equipamentos, mas também financiamento, engenharia, formação profissional e intercâmbio de conhecimento. Um estudo publicado em 2026 sobre a atuação chinesa na governança ambiental internacional identificou o crescimento de iniciativas relacionadas ao compartilhamento de informações, capacitação e produção de conhecimento científico.
Para Elena Lazarfindramaro, especialista em gestão ambiental e desenvolvimento sustentável da Universidade de Antananarivo, em Madagascar, desafios comuns, como as mudanças climáticas, exigem maior cooperação entre países. Na avaliação da especialista, iniciativas envolvendo financiamento climático, transferência de tecnologia, formação de talentos, pesquisa científica, restauração de ecossistemas e energias renováveis podem contribuir para o desenvolvimento sustentável.
No caso brasileiro, a experiência de Barueri mostra como essa cooperação pode aproximar tecnologia estrangeira de demandas ambientais locais. Ao transformar resíduos em fonte de eletricidade, o projeto reúne dois desafios enfrentados por grandes centros urbanos: a destinação dos resíduos e a necessidade de ampliar alternativas de geração energética.
A expansão desses projetos indica que a cooperação ambiental entre a China e outros países vem se desenvolvendo em diferentes escalas, da infraestrutura ferroviária às soluções para resíduos e geração solar. Para países que buscam reduzir emissões e diversificar suas matrizes energéticas, a transferência de tecnologia e a construção conjunta de capacidades podem se tornar elementos cada vez mais relevantes da transição para modelos de desenvolvimento de menor impacto ambiental.












