Drones agrícolas fabricados por empresas chinesas vêm ampliando sua presença no campo brasileiro, acompanhando a expansão do uso de aeronaves remotamente pilotadas em atividades de manejo e aplicação de insumos. Entre as marcas presentes no mercado estão empresas como DJI e XAG, que oferecem equipamentos voltados à agricultura de precisão.
O crescimento desse mercado pode ser observado na evolução do número de drones agrícolas registrados no país. Segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), o Brasil chegou a 10.357 equipamentos registrados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em 2025, contra 355 em 2021. A entidade aponta que grande parte desses equipamentos é importada.
A participação chinesa é expressiva nesse cenário. Dados reunidos pelo Sindag indicam que a DJI concentrava 84% dos drones de pulverização registrados no Brasil em junho de 2025, enquanto a XAG aparecia com 7%. O mercado também conta com fabricantes brasileiros, mostrando que a expansão da tecnologia ocorre em meio à formação de um setor ainda em desenvolvimento no país.
Na prática, os drones podem ser utilizados em diferentes etapas do manejo agrícola, especialmente na aplicação localizada de produtos. A tecnologia permite realizar operações sem a necessidade de circulação de máquinas pesadas sobre determinadas áreas da lavoura, característica que pode ser relevante em culturas como café e em terrenos de difícil acesso.
A XAG, por exemplo, relata o uso de seus drones em uma propriedade brasileira que cultiva soja, milho, sorgo e café. Segundo a empresa, os equipamentos são empregados em aplicações de herbicidas, inseticidas, fungicidas e fertilizantes foliares, incluindo uma área dedicada ao cultivo de café. Os resultados apresentados pela fabricante correspondem à experiência específica da propriedade e não representam necessariamente o desempenho médio da tecnologia no país.
A DJI também vem ampliando a utilização de seus equipamentos no Brasil. A empresa informou recentemente que produtores brasileiros utilizam modelos da linha Agras em operações de precisão, incluindo o manejo de pastagens.
O avanço dos drones ocorre dentro de uma relação agrícola entre Brasil e China que já ultrapassa o comércio de commodities e incorpora mecanização, digitalização e tecnologias voltadas ao aumento da eficiência no campo. A Agência Brasil China já destacou esse movimento em iniciativas de cooperação envolvendo máquinas agrícolas, agricultura de precisão e soluções digitais.
Com o crescimento da frota e a presença de fabricantes chineses, os drones passam a integrar uma nova frente da aproximação tecnológica entre os dois países. Para o Brasil, o avanço desse mercado representa a incorporação de ferramentas digitais a uma das principais atividades da economia nacional; para as empresas chinesas, amplia a presença em um dos maiores mercados agrícolas do mundo.











