Superávit comercial do Brasil chega a US$ 4,3 bilhões em setembro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 984,2 milhões na terceira semana de setembro, resultado de US$ 7,701 bilhões em exportações e US$ 6,717 bilhões em importações. Com a nova parcial, o saldo positivo acumulado no mês chegou a US$ 4,284 bilhões, informou a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Os dados ainda são preliminares e cobrem apenas parte do mês. Até a terceira semana, as exportações somaram US$ 21,892 bilhões e as importações, US$ 17,608 bilhões. Na comparação pela média diária com setembro de 2025, as vendas externas cresceram 21,5%, enquanto as compras do exterior avançaram 9%.

Mineração lidera avanço das exportações

Todos os grandes setores registraram aumento na média diária exportada. A agropecuária cresceu 12,5% e alcançou US$ 4,444 bilhões no mês. A indústria extrativa avançou 44,7%, para US$ 5,774 bilhões, e a indústria de transformação subiu 15,3%, totalizando US$ 11,436 bilhões.

O relatório semanal do MDIC aponta contribuição relevante de petróleo bruto, café, soja, farelos de soja, celulose e óleos combustíveis. Os percentuais elevados, porém, precisam ser interpretados com cuidado porque a comparação envolve poucos dias úteis e pode refletir o calendário de embarques, a base do ano anterior e variações de preços. O resultado parcial não permite afirmar que o mesmo ritmo será mantido até o fechamento do mês.

Também houve recuos em produtos importantes. As vendas de carne bovina, açúcar, veículos de passageiros e alguns minérios ficaram abaixo do nível observado em setembro de 2025. Para exportadores brasileiros, a composição é tão relevante quanto o saldo total: crescimento concentrado em petróleo e matérias-primas tem efeitos diferentes daqueles gerados por expansão ampla de manufaturados.

Importações crescem em máquinas e veículos

As importações acumuladas até a terceira semana aumentaram nos três grandes setores. A agropecuária somou US$ 332,7 milhões, alta de 18,1% pela média diária; a indústria extrativa chegou a US$ 897,7 milhões, aumento de 34,8%; e a transformação alcançou US$ 16,278 bilhões, crescimento de 7,6%.

Entre os itens que puxaram as compras externas estão máquinas de processamento de dados, veículos de passageiros, óleos combustíveis e carvão. Parte desse movimento pode indicar investimento e recomposição de estoques, mas a estatística semanal não identifica, sozinha, a finalidade econômica de cada importação. Será necessário observar dados mensais consolidados e indicadores de produção para distinguir expansão de capacidade, consumo e substituição de fornecedores.

Saldo anual se aproxima de US$ 60 bilhões

De janeiro até a terceira semana de setembro, o Brasil exportou US$ 272,747 bilhões e importou US$ 213,146 bilhões. O superávit chegou a US$ 59,601 bilhões, 35,2% acima do registrado no período equivalente de 2025. A corrente de comércio — soma de exportações e importações — atingiu US$ 485,893 bilhões.

O MDIC projeta superávit de US$ 90 bilhões para 2026, com US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações. Essa estimativa depende de preços de commodities, atividade doméstica, câmbio, fretes e condições nos principais mercados. Mudanças em tarifas internacionais e conflitos também podem alterar rotas e custos rapidamente.

Para a relação com a China, maior parceiro comercial do Brasil, a parcial semanal não traz detalhamento suficiente para medir o desempenho bilateral. O avanço de soja, petróleo e celulose sugere atenção aos embarques para a Ásia, enquanto o aumento de máquinas e eletrônicos reforça a importância das cadeias industriais chinesas nas importações brasileiras. A confirmação desse efeito, contudo, exige os dados por país que acompanham o fechamento mensal.

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