Ao menos 18 empresas estrangeiras mantêm projetos de pesquisa ou exploração de terras raras no Brasil. O conjunto soma mais de R$ 17,5 bilhões, considerando recursos já investidos e estimativas iniciais de implantação, segundo reportagem da Xinhua publicada em 5 de novembro.
A cifra não corresponde a um total de investimentos já realizados. Parte dos projetos ainda depende de estudos, licenças, financiamento e decisões empresariais para avançar. Reportagens da imprensa brasileira já haviam divulgado o mesmo levantamento em outubro.
O interesse se concentra nas terras raras, usadas em tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. O Brasil também possui recursos de níquel, cobre, lítio e grafite, minerais importantes para baterias e outros componentes industriais.
A questão central para o país é transformar o interesse por suas reservas em projetos que avancem além da extração. Isso exige desenvolver etapas como separação, processamento e fabricação de materiais, além de pesquisa e formação de fornecedores locais.
Em 3 de novembro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a regulamentação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos é prioridade do governo. Segundo o ministério, o Conselho Interministerial do setor deve discutir nas próximas semanas a lista de minerais abrangidos, as diretrizes de industrialização e os critérios para selecionar investimentos prioritários.
O governo apresenta a política como instrumento para ampliar a transformação mineral no Brasil. A lei foi sancionada em setembro, mas a definição de prioridades e procedimentos ainda está em discussão. A existência de projetos ou de interesse empresarial, por si só, não significa que as instalações de processamento já estejam construídas ou que a produção comercial tenha começado.
A disputa por minerais estratégicos envolve diferentes mercados e cadeias industriais. Para o Brasil, o resultado dependerá de conseguir combinar capital, tecnologia e licenciamento com maior processamento local e benefícios duradouros para a indústria e as regiões produtoras.



