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quarta-feira - 12 agosto 2026 - 15:24
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Brasil precisa se preparar para eventos climáticos extremos, alertam especialistas

Pesquisadores destacam impactos sobre saúde, economia e populações vulneráveis diante da possibilidade de novos efeitos associados ao El Niño

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Foto: Reprodução

O Brasil precisa ampliar a preparação para enfrentar ondas de calor e outros eventos climáticos extremos, diante da possibilidade de intensificação desses fenômenos com a chegada de um novo episódio de El Niño. O alerta foi feito por especialistas brasileiros durante o painel “O que esperar do El Niño”, realizado no Rio de Janeiro, que discutiu os possíveis impactos do fenômeno sobre diferentes regiões do país.

Segundo Renata Libonati, professora de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da Organização Meteorológica Mundial (OMM), as ondas de calor ainda recebem atenção insuficiente no Brasil, apesar dos efeitos sobre a população. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apresentados pela pesquisadora apontam que cerca de 50 mil pessoas morreram entre 2000 e 2020 em decorrência desses episódios em 14 regiões metropolitanas brasileiras.

De acordo com Libonati, o número de mortes associadas às ondas de calor no período foi 20 vezes superior ao registrado em decorrência de deslizamentos de terra. A pesquisadora também relacionou a ocorrência do El Niño a condições favoráveis à combinação de secas, ondas de calor e incêndios florestais. Nos últimos 40 anos, segundo os dados apresentados por ela, as condições de alto risco de incêndio aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Os impactos do fenômeno, no entanto, não devem ocorrer de maneira uniforme no território brasileiro. José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explicou que o comportamento associado ao El Niño varia conforme a região. No Sul, o fenômeno tende a favorecer o aumento das chuvas e, consequentemente, dos riscos de inundações. No Norte e no Nordeste, a tendência é de redução das precipitações e maior risco de seca.

No Centro-Oeste, o fenômeno pode atrasar o início da estação chuvosa e favorecer a ocorrência de ondas de calor. Já no Sudeste, a expectativa apontada pelo pesquisador é de temperaturas elevadas acompanhadas de maior irregularidade nas chuvas. A distribuição desigual dos efeitos reforça a necessidade de considerar as características regionais no planejamento de medidas de prevenção e adaptação.

Para Paulo Artaxo, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e participante dos três últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o Brasil precisa acelerar suas políticas de adaptação diante do aumento das temperaturas e da ocorrência de eventos climáticos extremos.

O alerta dos especialistas ocorre em um momento de atenção às condições de temperatura no país. Um novo período de calor acima da média começou a atingir diferentes áreas do território brasileiro em 12 de agosto, com previsão de temperaturas entre 40 °C e 42 °C em partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. O episódio deve persistir até 19 de agosto e também alcançar áreas das regiões Sul e Sudeste.

Nesse cenário, a discussão sobre adaptação climática ganha importância não apenas pela possibilidade de novos episódios de calor intenso, mas também pelos diferentes riscos associados às alterações nas condições de chuva. Para os pesquisadores, a preparação antecipada é fundamental para reduzir os impactos de eventos que atingem de maneira desigual as regiões brasileiras e podem afetar especialmente as populações mais vulneráveis.