O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta semana que a China construiu uma posição singular no domínio tecnológico relacionado às terras raras e aos minerais críticos, insumos considerados essenciais para setores como inteligência artificial, veículos elétricos, energia renovável e indústria eletrônica. As declarações foram feitas durante uma reunião no Palácio do Planalto dedicada a discutir o potencial brasileiro nesse segmento, que ganhou relevância estratégica em meio à disputa tecnológica entre as principais potências mundiais.
Ao comentar a liderança chinesa no setor, Lula afirmou que Pequim busca preservar o conhecimento acumulado sobre a exploração e o processamento desses minerais e associou o interesse demonstrado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao peso geopolítico conquistado pela China ao longo das últimas décadas. Segundo o presidente brasileiro, o encontro com especialistas e integrantes do governo revelou que o país possui mais conhecimento técnico sobre o tema do que ele próprio imaginava inicialmente.
As terras raras ocupam posição central na economia global contemporânea por serem utilizadas na fabricação de baterias, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Embora diversos países possuam reservas significativas desses elementos, a China consolidou sua liderança não apenas pela extração mineral, mas sobretudo pelo desenvolvimento das etapas industriais e tecnológicas responsáveis pelo refino e pela transformação dessas matérias-primas em componentes de alto valor agregado.
O debate promovido pelo governo brasileiro ocorre em um momento de crescente competição internacional por minerais estratégicos. Estados Unidos, União Europeia e outras economias têm ampliado investimentos e firmado acordos para reduzir sua dependência das cadeias produtivas asiáticas, consideradas fundamentais para a transição energética e o avanço das novas tecnologias. Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos países com maior potencial de expansão, graças às suas reservas minerais e à capacidade de atrair investimentos para o setor.
Durante a reunião, Lula argumentou que o principal desafio brasileiro não está na falta de recursos naturais ou de conhecimento técnico, mas na definição de uma política capaz de transformar esse potencial em desenvolvimento industrial. O presidente defendeu a construção de uma estratégia nacional que permita ao país participar de forma mais ativa das cadeias globais ligadas aos minerais críticos, ampliando a geração de tecnologia e valor agregado dentro do território brasileiro.
O tema ganhou importância adicional nos últimos anos à medida que as relações entre China e Estados Unidos passaram a ser marcadas por disputas comerciais e tecnológicas cada vez mais intensas. O controle sobre a produção e o processamento de terras raras tornou-se um dos principais elementos dessa competição, uma vez que esses minerais são considerados indispensáveis para a indústria do futuro.
Para o Brasil, a discussão representa uma oportunidade de reposicionar sua atuação no mercado internacional. Mais do que ampliar a exportação de matérias-primas, o desafio colocado ao país é desenvolver capacidades industriais e científicas capazes de integrar uma cadeia produtiva que deverá desempenhar papel decisivo na economia global nas próximas décadas.










