Cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro chegam à China e ampliam presença brasileira no mercado premium

Uma nova iniciativa comercial entre Brasil e China está levando ao mercado chinês cafés especiais produzidos por mulheres da região do Cerrado Mineiro, em Minas Gerais. A parceria foi firmada entre a cooperativa Expocacer e a empresa chinesa Donna Jannie, que passará a importar lotes selecionados do programa “Elas no Café”, projeto dedicado à valorização do trabalho feminino na cafeicultura brasileira. As primeiras remessas deixaram o Brasil em junho e devem chegar a Xangai no fim deste mês.

Os grãos serão comercializados sob a marca Lady Coffees, criada pela empresária chinesa Jian Xueya, conhecida no Brasil como “Dona Jane”. Além da proposta de inserir cafés brasileiros no segmento premium chinês, a iniciativa aposta em um elemento distintivo: as embalagens trarão os nomes das produtoras responsáveis pelos lotes, acompanhados de suas traduções para o mandarim, aproximando os consumidores chineses da origem do produto. A estratégia também prevê a distribuição dos cafés para cafeterias em diferentes regiões da China.

A cooperação reflete a crescente sofisticação do mercado consumidor chinês, onde o café vem ganhando espaço sobretudo entre os jovens urbanos e a classe média. Tradicionalmente associado ao chá, o país tem registrado uma rápida expansão do setor cafeeiro, impulsionando a demanda por grãos especiais e por produtos com identidade regional e rastreabilidade. Nesse cenário, o Cerrado Mineiro, primeira região cafeeira do Brasil reconhecida com denominação de origem, tornou-se um dos principais fornecedores nacionais para nichos de alto valor agregado.

Segundo a empresária Jian Xueya, a intenção é estabelecer uma relação comercial de longo prazo com a cooperativa mineira, com importações mensais e foco especial nos cafés produzidos pelas cooperadas do programa feminino. A iniciativa busca não apenas ampliar a presença dos cafés brasileiros na China, mas também destacar o papel das mulheres na cadeia produtiva do setor.

O projeto surge em um momento de aproximação econômica entre Brasil e China e acompanha a expansão das exportações brasileiras de café para o mercado asiático. Nos últimos anos, o interesse chinês por produtos premium e de origem certificada abriu novas oportunidades para produtores brasileiros, especialmente em segmentos voltados ao consumo especializado e à experiência gastronômica.

A parceria com a Expocacer também reforça a crescente internacionalização da cooperativa mineira. Em dezembro do ano passado, a entidade realizou seu primeiro leilão virtual de cafés especiais, reunindo compradores de países como China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Austrália e Estados Unidos, em uma demonstração do alcance global alcançado pelos cafés produzidos no Cerrado Mineiro.

Combinando rastreabilidade, valorização das produtoras e a expansão do mercado consumidor chinês, a iniciativa simboliza uma nova etapa da presença do café brasileiro na Ásia, marcada não apenas pelo aumento das exportações, mas pela construção de marcas e conexões culturais capazes de aproximar consumidores e produtores separados por mais de 17 mil quilômetros.

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