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terça-feira - 07 julho 2026 - 15:03
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Brasil estrutura estratégia para ampliar fluxo de turistas chineses e fortalecer intercâmbio com a China

Grupo de Trabalho criado pelo Ministério do Turismo reúne governo e setor privado para desenvolver ações voltadas à promoção do destino Brasil no mercado chinês, considerado um dos maiores emissores de viajantes do mundo.

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Foto: Fwellisch / Wikimedia Commons

A ampliação da presença de turistas chineses no Brasil passou a integrar de forma mais estruturada a agenda do governo federal. O Ministério do Turismo instituiu um Grupo de Trabalho dedicado à elaboração de estratégias para aumentar o fluxo de visitantes provenientes da China, iniciativa que reúne representantes do poder público, entidades do setor turístico e empresas privadas em torno de um objetivo comum: posicionar o Brasil de maneira mais competitiva em um dos maiores mercados emissores de turistas do mundo. A medida acompanha o momento de aproximação entre Brasília e Pequim, marcado pela intensificação das relações comerciais, culturais e institucionais, e reflete o entendimento de que o turismo pode assumir papel cada vez mais relevante na diversificação da parceria bilateral.

A criação do grupo ocorre em um cenário de retomada das viagens internacionais por parte da população chinesa. Antes da pandemia, a China figurava entre os principais mercados emissores de turistas do planeta, movimentando centenas de bilhões de dólares em despesas internacionais. Com a recuperação gradual desse fluxo, diversos países passaram a disputar esse público por meio de campanhas de promoção, acordos de facilitação de viagens e ampliação da conectividade aérea. O Brasil busca agora fortalecer sua presença nesse ambiente competitivo, desenvolvendo políticas voltadas à promoção de destinos nacionais, à adaptação da oferta turística às características do visitante chinês e ao fortalecimento da cooperação institucional entre os dois países.

Entre as atribuições do Grupo de Trabalho estão a identificação de obstáculos que ainda limitam o crescimento desse mercado, a elaboração de propostas para ampliar a promoção internacional do Brasil e o desenvolvimento de ações conjuntas com o setor privado. A iniciativa também pretende estimular a troca de informações entre órgãos governamentais, operadores de turismo, companhias aéreas e entidades representativas da cadeia produtiva, criando uma estratégia coordenada para ampliar a presença do país no mercado chinês. A expectativa é que esse trabalho contribua para aumentar a competitividade do Brasil diante de outros destinos que tradicionalmente concentram a maior parte das viagens realizadas por turistas chineses.

A iniciativa se insere em um contexto mais amplo de fortalecimento das relações sino-brasileiras. Nos últimos anos, a agenda bilateral passou a incorporar novas áreas de cooperação, expandindo-se para além do comércio de bens e dos investimentos em infraestrutura. Educação, ciência, inovação, economia criativa e intercâmbio cultural ganharam espaço crescente nas negociações entre os dois governos, movimento reforçado pela realização do Ano Cultural Brasil–China e pela ampliação de iniciativas voltadas à aproximação entre as sociedades dos dois países. Nesse cenário, o turismo surge como um instrumento capaz de aprofundar o conhecimento mútuo, estimular novos negócios e fortalecer vínculos construídos para além da esfera econômica.

Especialistas do setor avaliam que a expansão do turismo chinês no Brasil depende de um conjunto de medidas que vai além da promoção internacional. O fortalecimento da conectividade aérea, a ampliação da oferta de serviços adaptados ao perfil desse visitante, a capacitação de profissionais, a disponibilidade de informações em mandarim e a consolidação de parcerias comerciais com operadores chineses figuram entre os fatores considerados essenciais para elevar a competitividade do destino brasileiro. Ao mesmo tempo, a crescente digitalização do planejamento de viagens na China exige presença consistente em plataformas utilizadas pelo consumidor local, estratégia que tem sido adotada por diversos países interessados em ampliar sua participação nesse mercado.

Embora a participação de turistas chineses no fluxo internacional recebido pelo Brasil ainda permaneça abaixo do potencial observado nas relações econômicas entre os dois países, o cenário apresenta perspectivas favoráveis. O fortalecimento do diálogo bilateral, a ampliação das iniciativas de cooperação e o interesse crescente em promover intercâmbios culturais criam um ambiente propício para a expansão desse segmento nos próximos anos. Ao estruturar uma política específica para o mercado chinês, o Brasil sinaliza que pretende transformar o turismo em mais um eixo da parceria estratégica construída com a China, ampliando oportunidades para o setor e fortalecendo a aproximação entre duas economias que ocupam posições cada vez mais relevantes no cenário internacional.