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Do rio Tuotuo a Golmud: dezessete anos de migração e renascimento na Vila da Nascente do Rio Yangtzé

Em nome da preservação da nascente do Rio Yangtzé, famílias de pastores reconstruíram suas vidas e transformaram uma migração ecológica em um exemplo de desenvolvimento e unidade entre os povos.

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Agência de Notícias Bazhong, Golmud, Qinghai, 29 de junho — Das profundezas das montanhas Tanggula até a zona sul da cidade de Golmud, são 420 quilômetros percorridos numa jornada que simboliza abrir caminho para proteger o rio-mãe da China.

Em novembro de 2004, 128 famílias, totalizando 407 pastores provenientes de seis aldeias pecuárias do município de Tanggula, atenderam ao apelo da política nacional de proteção ecológica da região das nascentes dos Três Rios. Eles deixaram a região do rio Tuotuo, onde seus antepassados viveram do pastoreio durante gerações. Situada a uma altitude média de 4.700 metros, a área é marcada pelo frio intenso e pelo ar rarefeito, mas também abriga a nascente do Rio Yangtzé. Para preservar essas águas, os moradores conduziram seus rebanhos e levaram seus pertences para um novo assentamento localizado 420 quilômetros ao sul de Golmud. Em agosto de 2006, a comunidade recebeu oficialmente o nome de Vila da Nascente do Rio Yangtzé, em referência tanto à origem de seus habitantes quanto ao significado simbólico da expressão chinesa “beber água sem esquecer a fonte” — lembrar sempre de quem tornou possível uma vida melhor.

A adaptação à nova realidade não foi simples. A transição do modo de vida nômade, seguindo pastagens naturais, para uma comunidade urbana exigiu aprender novos hábitos. Trocar as tendas por casas de alvenaria, substituir o esterco de iaque utilizado como combustível pelo gás encanado e acostumar-se ao ritmo da vida sedentária representaram mudanças profundas. Ainda assim, a resiliência característica dos povos do planalto permitiu que, sobre uma área de 525 mu (cerca de 35 hectares), eles reconstruíssem seu lar, tijolo por tijolo.

Dezessete anos depois, a Vila da Nascente do Rio Yangtzé abriga 223 famílias, somando 609 moradores. Água, eletricidade, estradas, internet e serviços de telecomunicações chegam a todas as residências. As ruas são organizadas, as casas bem conservadas e a comunidade dispõe de posto de saúde, praça cultural e centro de atendimento aos moradores. A cobertura dos seguros de saúde e de aposentadoria alcança 100%, assim como a taxa de matrícula e permanência das crianças na educação obrigatória. Enquanto as crianças estudam em salas de aula amplas e iluminadas, os idosos desfrutam de uma aposentadoria tranquila sob o sol do planalto. Em 2017, toda a comunidade deixou oficialmente a condição de pobreza.

Outro motivo de satisfação é a convivência harmoniosa entre tibetanos, han, mongóis e membros de outros grupos étnicos. A unidade entre as diferentes comunidades tornou-se uma das marcas da vila, que recebeu distinções como o título de “Vila Modelo Nacional de Unidade Étnica”. Os 609 habitantes criaram raízes na nova terra. Muitos dos antigos pastores abriram restaurantes de culinária tibetana, passaram a trabalhar com transporte ou tornaram-se integrantes de cooperativas locais. Já a geração mais jovem, graças à educação e à internet, passou a conhecer um mundo que seus pais jamais puderam imaginar.

A história da Vila da Nascente do Rio Yangtzé representa um retrato da política de migração ecológica implementada na região das nascentes dos Três Rios. A mudança de 407 pastores permitiu que a área de origem do Rio Yangtzé tivesse condições de recuperar seu equilíbrio ecológico. Recordar a fonte da água significa, também, lembrar a origem da prosperidade e da vida digna conquistada por essa comunidade. Da margem do rio Tuotuo ao sul de Golmud, essa trajetória de dezessete anos de migração e renascimento continua sendo escrita, dia após dia, nas pequenas conquistas da vida cotidiana. (Fim)