Agência de Notícias Bazhong, 25 de junho, Haidong, Qinghai
Para os leitores brasileiros, talvez seja difícil imaginar que, em terras situadas a quase três mil metros de altitude, no Planalto Qinghai-Tibete, modernas estufas agrícolas estejam fornecendo continuamente hortaliças frescas para a Ásia Central e o Sudeste Asiático. Na maior base de produção de hortaliças de clima frio de Qinghai, considerada o principal “cesto de alimentos” da província, extensas plantações de frutas e legumes se estendem diante dos olhos, renovando completamente a percepção sobre a agricultura de altitude.

O clima frio: uma vantagem natural reinventada
O diferencial de Ledu está em transformar o clima frio em sua principal vantagem competitiva. Localizada na zona de transição entre o Planalto Qinghai-Tibete e o Planalto de Loess, a região possui elevada altitude média, temperaturas de verão em torno de 20 °C, amplitude térmica diária superior a 15 °C, abundante insolação, baixa incidência de pragas e água de excelente qualidade. Essas condições naturais favorecem o cultivo das chamadas hortaliças de clima frio, que apresentam um ciclo de crescimento mais longo, maior acúmulo de nutrientes e textura crocante, além de sabor naturalmente adocicado.
Aproveitando as características locais, Ledu desenvolveu um modelo de cultivo tridimensional resumido pela estratégia de “estabilizar as planícies, expandir para os vales e subir as montanhas”, combinando estufas agrícolas com lavouras a céu aberto. Atualmente, a região conta com 32 bases especializadas na produção de hortaliças, 42 bases dedicadas a frutas e tubérculos, mais de dez mil estufas padronizadas e cerca de 5 mil hectares de terras agrícolas de alto padrão. Com 19 produtos de indicação geográfica, 9 certificados como alimentos verdes e 5 certificações de produtos orgânicos, especialidades locais como a pimenta longa de Ledu, o alho-roxo, a cereja, o pimentão colorido e a alface-bebê já chegaram às mesas de consumidores em toda a China e também no exterior.

A “inteligência do planalto” impulsionada pela tecnologia
Ao contrário do modelo brasileiro, baseado em grandes áreas mecanizadas, Ledu seguiu o caminho da agricultura intensiva em tecnologia. A base produtiva adotou um sistema de agricultura inteligente que inclui centros padronizados de produção de mudas, tecnologia integrada de irrigação e fertilização, além de monitoramento completo por Internet das Coisas (IoT), permitindo controlar com precisão a água, os fertilizantes, a temperatura e a umidade das plantações, aumentando significativamente a eficiência e a qualidade da produção.
Instalações de classificação, processamento e grandes centros de armazenamento refrigerado complementam a cadeia produtiva, solucionando os desafios da conservação e do transporte dos produtos agrícolas do planalto e garantindo que o frescor seja preservado desde a colheita até a mesa do consumidor.
Na área comercial, foi estabelecida uma rede integrada de distribuição baseada na compra direta nas bases de produção, fornecimento para supermercados em todo o país e exportação internacional. As frutas e hortaliças de Ledu abastecem diversas províncias chinesas e, aproveitando a localização estratégica da antiga Rota da Seda, são exportadas em larga escala para a Ásia Central e o Sudeste Asiático. A região também instalou um centro logístico no Cazaquistão. Segundo autoridades locais, somente neste ano, dezenas de toneladas de pimentões coloridos já foram exportadas para a Rússia pelo posto fronteiriço de Khorgos.
Sabe-se que o Brasil possui uma das maiores áreas agricultáveis do mundo e lidera a produção mundial de soja, café e cana-de-açúcar, sendo reconhecido como um verdadeiro “celeiro mundial”. Ao mesmo tempo, sua estrutura agrícola concentra-se fortemente em culturas voltadas à exportação, enquanto a autossuficiência em grãos básicos continua sendo um desafio. Já Ledu — e, de forma mais ampla, toda a cadeia de hortaliças de clima frio do planalto de Qinghai — seguiu um caminho diferente: aproveitou o clima de alta altitude para especializar-se na produção de hortaliças fora de época, conquistando espaço no mercado internacional por meio da qualidade e da diferenciação.
Nos dez primeiros meses de 2025, o volume de exportação das hortaliças de clima frio de Qinghai aumentou 4,1 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as exportações para os países participantes da Iniciativa Cinturão e Rota cresceram aproximadamente 144 vezes. Esse modelo de desenvolvimento, caracterizado por ser “pequeno, especializado e de alta qualidade”, não busca ser o maior em escala, mas tornou-se insubstituível em um segmento específico. A experiência de Ledu demonstra que o futuro da agricultura nem sempre depende do tamanho — muitas vezes, a diferença é mais valiosa do que a dimensão.

Gerar prosperidade para a população: o objetivo final da indústria
O verdadeiro critério para medir o sucesso do desenvolvimento industrial é o bem-estar da população. Em Ledu, foi adotado um modelo de cooperação entre empresas estatais, cooperativas e agricultores. Os produtores obtêm renda estável por meio da transferência do direito de uso das terras, podem trabalhar nas proximidades de suas casas e ainda participam da distribuição dos lucros.
Segundo representantes das aldeias, muitos jovens que antes deixavam a região passaram a retornar graças às oportunidades criadas localmente. Aproveitando as extensas áreas cultivadas, a região também desenvolveu atividades de turismo rural, como colheita de frutas e hortaliças e visitas às fazendas, diversificando as fontes de renda das comunidades.
O desenvolvimento da cadeia de frutas e hortaliças de Ledu representa um exemplo concreto da revitalização rural no oeste da China. A combinação entre recursos ecológicos, inovação tecnológica, fortalecimento de marcas, integração aos mercados internacionais e aumento da renda dos agricultores demonstra que mesmo regiões cujas condições naturais não são consideradas privilegiadas podem construir uma indústria agrícola competitiva em escala global.
Do campo ao carregamento dos caminhões e de Ledu ao Cazaquistão, a jornada internacional de um pimentão ou de uma cereja conta uma história chinesa de desenvolvimento baseado nas características locais, impulsionado pela tecnologia e orientado pelo crescimento compartilhado.












