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Uma tigela de macarrão, quatro mil anos: o novo capítulo da Rota da Seda do lámen de Qinghai, da “primeira tigela do mundo” aos apreciadores do “vilarejo global”

Da tigela de macarrão descoberta no Sítio Arqueológico de Lajia às dezenas de milhares de restaurantes espalhados por mais de cinquenta países e regiões, o lámen de Qinghai une tradição, inovação e desenvolvimento económico em uma história de alcance global.

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Agência de Comunicação de Bazhong, 24 de junho — Sob a terra do Sítio Arqueológico de Lajia, no condado de Minhe, província de Qinghai, repousa uma tigela de macarrão com cerca de quatro mil anos de história. Atravessando os séculos com a sua forma ainda perfeitamente preservada, ela é considerada pelos arqueólogos como a “primeira tigela de macarrão do mundo”, testemunhando silenciosamente a antiga relação desta região do planalto com os cereais e os alimentos preparados em caldo.

Milhares de anos depois, essa tigela transformou-se em milhares de malas levadas por quase 200 mil habitantes de Qinghai, que cruzaram montanhas e oceanos para estabelecer restaurantes em 56 países e regiões, escrevendo uma história contemporânea de perseverança, integração e intercâmbio cultural.

Dos “Cinco Êxitos” ao vilarejo global

Em Qinghai, popularizou-se uma nova interpretação da expressão “Cinco Êxitos”: graças a uma tigela de lámen, as pessoas ganharam dinheiro, criaram os filhos, ampliaram os horizontes, fortaleceram a coragem e abriram novos caminhos para o futuro. Mais do que uma melhoria nas condições de vida, esse processo representa uma profunda transformação social e uma mudança de mentalidade.

Os números comprovam essa evolução. Nas 337 cidades chinesas de diferentes portes, já existem cerca de 35 mil restaurantes de lámen de Qinghai, com um valor anual de produção próximo de 20 mil milhões de yuans. No exterior, o aroma característico desse macarrão também conquistou espaço: atualmente, o lámen de Qinghai está presente em 68 países e regiões, do Sudeste Asiático à Europa e à América do Norte. Guangdong, Jiangsu e Xangai constituem os principais centros de expansão dentro da China, sendo que apenas a província de Guangdong reúne mais de cinco mil estabelecimentos, tornando-se uma importante porta de ligação entre Qinghai e o mercado internacional.

Tradição artesanal e renovação da cadeia produtiva

O preparo de uma autêntica tigela de lámen de Qinghai segue quatro etapas fundamentais: misturar, amassar, esticar e puxar a massa. Das versões mais finas às mais largas, os mestres transformam a força das mãos em diferentes formatos de macarrão, criando uma verdadeira arte culinária.

Hoje, essa tradição dialoga com a inovação. Foram desenvolvidas novas variedades, como o lámen de cevada-do-planalto e o lámen de vegetais, enquanto os produtos instantâneos romperam as limitações geográficas, permitindo que o sabor do planalto chegue a mesas cada vez mais distantes.

Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva expandiu-se significativamente. O setor impulsiona a criação de bovinos e ovinos, o cultivo de trigo e colza e estimula mais de vinte atividades correlatas, incluindo logística refrigerada e comércio eletrónico. No condado de Hualong, cidade de Haidong, um parque de incubação da indústria do lámen de Qinghai, com investimento de 180 milhões de yuans, começa a ganhar forma. Mais do que um centro de produção, o espaço reúne digitalização, fortalecimento de marcas e inovação industrial, promovendo a modernização de um setor tradicional.

O retorno à terra natal e a revitalização rural

Os frutos dessa indústria também regressam às comunidades de origem. Muitos dos primeiros empreendedores que deixaram as montanhas retornaram posteriormente levando consigo capital, experiência e novas perspetivas. Empresários como Han Jinlu e Han Guangyuan não apenas trouxeram de volta negócios ligados à restauração, construção civil e cadeia logística do frio, como também passaram a apoiar o desenvolvimento local por meio de iniciativas como o programa “Cem Empresas, Cem Famílias”.

O condado de Hualong implementou ainda o projeto “Retorno da Fénix ao Ninho”, que já reúne 1.530 profissionais qualificados numa base de dados, incentivando o regresso de talentos, investimentos e novos empreendimentos à região.

Em Qinghai, esta tigela de lámen é conhecida como a “tigela da prosperidade”, a “tigela da união” e a “tigela da felicidade”. Segundo os dados oficiais, entre os 539 mil habitantes que saíram da pobreza na província, quase um quinto conseguiu melhorar as condições de vida graças à indústria do lámen.

O trigo cultivado pelos han e pelos tu, o iaque criado pelas comunidades tibetanas e mongóis, a pimenta produzida pelos salar e a técnica culinária preservada pelos hui encontram-se todos numa única tigela de sopa. Essa combinação representa um retrato vivo da convivência entre diferentes grupos étnicos e da construção de uma comunidade multicultural.

Da tigela carbonizada encontrada no Sítio Arqueológico de Lajia ao vapor que sobe de uma tigela de lámen nas ruas da Tailândia, a história do lámen de Qinghai continua a ser escrita. Ela demonstra que aquilo que é mais profundamente local pode também alcançar dimensão mundial e que uma tradição milenar, quando aliada à inovação, continua capaz de abrir novos caminhos para o futuro.