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sábado - 14 fevereiro 2026 - 19:48
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China classifica novas restrições dos EUA às exportações de chips como ‘violação’ do comércio

Washington anunciou regras para ‘liderar o mundo em IA’; indústria criticou medida a poucos dias da posse de Trump

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(Foto: Getty Images)

A China classificou, nesta segunda-feira (13), as novas regras de exportação para chips avançados usados para inteligência artificial (IA), anunciadas pelos Estados Unidos, como “violação flagrante” das regras do comércio internacional.

O anúncio “é outro exemplo do uso generalizado da segurança nacional e do abuso dos controles de exportação, e é uma violação flagrante das regras econômicas e comerciais internacionais”, disse o Ministério do Comércio chinês em um comunicado.

A nova regulamentação atualiza os controles sobre chips, exigindo autorizações especiais para sua exportação, reexportação e transferências dentro dos Estados Unidos, além de incluir uma série de exceções para países considerados aliados.

Enquanto isso, os centros de dados de IA terão que atender a parâmetros de segurança aprimorados para poder importar chips.

O governo estadunidense fez o anúncio em um novo esforço para dificultar o acesso da China e outros rivais de Washington para estes componentes.

As restrições seguem as anunciadas em 2023 sobre a exportação de certos chips de IA para a China, que os Estados Unidos veem como um concorrente estratégico no campo de semicondutores avançados.

“Os Estados Unidos lideram o mundo em IA agora, tanto no desenvolvimento, quanto na fabricação de chips de IA, e é fundamental que continuemos assim”, disse sobre a decisão a secretária do Comércio, Gina Raimondo, à imprensa.

Em defesa da medida, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, afirmou que as novas regras dificultam os concorrentes estadunidenses a “usar o contrabando e o acesso remoto para escapar de nosso controle das exportações”.

Também criam “incentivos para que os amigos e aliados de todo o mundo usem fornecedores confiáveis de inteligência artificial avançada”, afirmou.

As novas regras entrarão em vigor em 120 dias, disse a representante estadunidense, o que dará tempo ao novo governo do presidente eleito Donald Trump, que assume a Casa Branca em 20 de janeiro, para fazer mudanças pertinentes.

Críticas da indústria

A medida provocou críticas da indústria e alertas sobre um impacto na competitividade dos EUA.

O diretor-executivo da Associação da Indústria de Semicondutores, John Neuffer, declarou “profunda decepção que uma mudança dessa magnitude e impacto esteja sendo feita poucos dias após uma transição presidencial e sem nenhuma contribuição significativa (solicitada) da indústria”.

O empresário acrescentou que a decisão pode causar “danos duradouros à economia dos EUA e à concorrência global” ao ceder mercados importantes aos rivais.

A gigante da indústria Nvidia afirmou que “disfarçadas como medida ‘antiChina’, essas regras não farão nada para melhorar a segurança dos EUA”.

A empresa rechaçou as novas restrições ao afirmar que o primeiro mandato do republicano mostrou como os Estados Unidos “vencem por meio da inovação, da competição e do compartilhamento de nossas tecnologias com o mundo, não se escondendo atrás de um muro de poder governamental”.

Embora Trump tenha imposto tarifas pesadas sobre importações chinesas durante seu primeiro mandato, seus apoiadores no Vale do Silício – região em São Francisco onde estão situadas grandes empresas de tecnologia – podem ver as novas regras do governo democrata como um obstáculo desnecessário à sua capacidade de exportação.

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