O presidente da China, Xi Jinping, chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (23) para uma visita de Estado a convite do presidente norte-americano, Donald Trump. A agenda, que se estende até 25 de setembro, inclui encontros entre os dois chefes de Estado e ocorre mais de uma década após a última visita de Xi à Casa Branca. Na chegada à Base Conjunta Andrews, Xi e sua esposa, Peng Liyuan, foram recebidos por Trump e pela primeira-dama Melania Trump em uma cerimônia que contou com honras militares e execução dos hinos dos dois países.
Em discurso escrito divulgado após a chegada, Xi afirmou que China e Estados Unidos devem ser parceiros, e não rivais, e manifestou confiança de que as duas potências possam encontrar uma forma estável de se relacionar. Segundo o presidente chinês, os dois países devem trabalhar para fortalecer uma relação baseada em cooperação, competição moderada, administração das divergências e manutenção da paz. Ele também lembrou que, durante a visita de Trump à China em maio, os dois governos concordaram em buscar uma relação construtiva de estabilidade estratégica.
Na cerimônia de boas-vindas realizada na Casa Branca nesta quinta-feira (24), Xi reiterou a disposição chinesa de ampliar o diálogo entre os governos. Ele defendeu maior comunicação em áreas como relações exteriores, comércio, finanças, aplicação da lei e intercâmbios entre os povos. O presidente chinês também afirmou que os dois países, por serem grandes potências e terem interesses profundamente interligados, possuem espaço para ampliar a cooperação em temas como inteligência artificial, além de defender medidas para facilitar os deslocamentos e os intercâmbios entre as populações.
A visita ocorre em um momento de múltiplas questões em discussão entre Beijing e Washington. A agenda oficial anunciada pela China prevê uma troca aprofundada de opiniões sobre temas importantes das relações bilaterais e sobre questões relacionadas à paz e ao desenvolvimento mundial. O Ministério das Relações Exteriores chinês classificou a sequência de visitas dos dois presidentes em um intervalo de seis meses como um marco relevante para o relacionamento entre os países.
Além das relações bilaterais, o cenário internacional também aparece entre os pontos de divergência. Nesta quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que Beijing se opõe a sanções unilaterais que, segundo a posição apresentada pelo governo chinês, não tenham base no direito internacional nem autorização do Conselho de Segurança da ONU. A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre as ameaças dos Estados Unidos de aplicar sanções a países que permitissem o pouso de voos comerciais iranianos.
A posição exposta por Guo mostra que, paralelamente aos esforços de aproximação entre os chefes de Estado, permanecem divergências entre os dois governos sobre questões internacionais. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Xi iniciou a visita de Estado e apresentou a defesa do diálogo como um dos caminhos para lidar com diferenças entre as duas potências.
Do lado norte-americano, a Casa Branca programou uma cerimônia oficial de chegada, seguida por reuniões e por um jantar de Estado oferecido a Xi e Peng Liyuan. A programação também inclui, na sexta-feira (25), um encontro entre os dois casais na Casa Branca e uma visita ao Arquivo Nacional dos Estados Unidos.
A visita de Xi ocorre, assim, entre gestos diplomáticos de alto nível e questões ainda abertas na relação bilateral. Ao defender comunicação, cooperação e administração das divergências, o presidente chinês apresentou a agenda em Washington como uma oportunidade para buscar maior estabilidade no relacionamento. O andamento dos encontros previstos para os próximos dias deverá mostrar quais temas poderão avançar no diálogo entre Beijing e Washington e quais continuarão como pontos de negociação entre os dois países.



