EUA e as tarifas sobre importação
O governo dos Estados Unidos anunciou um pacote de novas tarifas sobre importações que está tendo impacto direto nas relações comerciais com parceiros estratégicos como Brasil e China, em meio a uma profunda reconfiguração de regras e decisões judiciais internas. O anúncio, feito após uma recente decisão da Suprema Corte norte-americana que limitou o alcance das tarifas anteriores, cria um novo regime tarifário global que, segundo análises especializadas, transforma de forma significativa o posicionamento das principais economias emergentes diante do comércio internacional.
O governo dos Estados Unidos anunciou um pacote de novas tarifas sobre importações que está tendo impacto direto nas relações comerciais com parceiros estratégicos como Brasil e China, em meio a uma profunda reconfiguração de regras e decisões judiciais internas. O anúncio, feito após uma recente decisão da Suprema Corte norte-americana que limitou o alcance das tarifas anteriores, cria um novo regime tarifário global que, segundo análises especializadas, transforma de forma significativa o posicionamento das principais economias emergentes diante do comércio internacional.
O que muda com o novo regime tarifário de Donald Trump?
A nova estrutura tarifária, elaborada pelo governo do presidente Donald Trump com base na Seção 122 da Trade Act de 1974, estabelece uma taxação fixa adicional sobre a maioria das importações que ingressam no mercado dos Estados Unidos. Essa sobretaxa atua em conjunto com alíquotas preexistentes, alterando a carga tributária média que os produtos estrangeiros enfrentam ao entrar no país norte-americano. A validade dessa tarifa global foi definida inicialmente em 150 dias, e a administração Trump tem sinalizado que buscará apoio no Congresso para estender o regime por mais tempo.
Por que o Brasil lidera os ganhos com a nova medida?
De acordo com estimativas do monitor independente Global Trade Alert, o Brasil é o país que mais se beneficia dessa nova configuração tarifária. A redução efetiva das tarifas médias sobre produtos brasileiros exportados para os EUA é de aproximadamente 13,6 pontos percentuais em comparação com o regime tarifário anterior, que combinava alíquotas gerais com sobretaxas específicas que haviam sido impostas durante a escalada das tensões comerciais. Em seguida na lista aparece a China, cuja taxação média também diminuiu em cerca de 7,1 pontos percentuais sob o novo regime.
Segundo especialistas, essa mudança ocorre em um contexto em que a política comercial americana busca equilibrar interesses domésticos de proteção de indústria com pressões legais e de parceiros internacionais. A Suprema Corte dos EUA declarou inconstitucionais partes significativas das tarifas recíprocas impostas anteriormente pela administração Trump sob legislação de emergência, forçando o governo a revisar sua abordagem e estabelecer uma tarifa global mais simples e uniforme. Essa nova estrutura visa reduzir disparidades e evitar disputas legais futuras, mas também cria vencedores e perdedores distintos no tabuleiro global.
O impacto nas exportações brasileiras por setor
Para o Brasil, a redução da taxa média representa uma oportunidade de recuperar competitividade no mercado norte-americano em diversos setores exportadores. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que cerca de 46% das exportações brasileiras aos EUA podem entrar sem sobretaxas adicionais no novo regime, incluindo itens como aeronaves — um segmento de destaque para a indústria brasileira. Outros produtos continuam sujeitos a tarifas setoriais preexistentes relacionadas a segurança nacional, como aço e alumínio, mas a simplificação geral contribui para aliviar pressões sobre diversos segmentos.
A situação da China frente às novas tarifas americanas
A China, por sua vez, apesar de manter um nível tarifário médio mais elevado do que o Brasil, também vê sua carga tributária relativa reduzir-se. Isso pode aliviar parte das tensões comerciais entre Pequim e Washington, em um momento em que as disputas bilaterais sobre práticas comerciais, propriedade intelectual e acesso a mercados continuam sob exame pelas autoridades americanas. O impacto dessa diminuição é observado tanto em fluxos de importação quanto em decisões de investimento e posicionamento de cadeias produtivas globais.
O que dizem os economistas?
No entanto, não há consenso entre economistas sobre o alcance das mudanças. Alguns analistas destacam que, embora a redução das tarifas médias seja uma notícia positiva para exportadores de países como Brasil e China, a volatilidade e a incerteza continuam elevadas em razão de possíveis novas investigações e ações tarifárias setoriais que podem ser abertas pelo USTR — Escritório do Representante de Comércio dos EUA — sob outras bases legais, como as Seções 301 e 232 da legislação comercial americana. Entre os temas sob investigação estão serviços digitais, propriedade intelectual e práticas industriais, o que pode resultar em tarifas específicas adicionais.
De um ponto de vista mais amplo, a reconfiguração das tarifas americanas ocorre em meio a um cenário internacional complexo, no qual países buscam diversificar suas parcerias comerciais e reduzir dependência de mercados específicos. O papel da China na cadeia global de valor, aliado ao crescimento dos laços comerciais com o Brasil e outras economias emergentes, tem sido observado como um fator que ajuda países afetados por barreiras tarifárias a encontrar alternativas de mercado.
No Brasil, a reação governamental tem sido otimista em alguns setores, com interlocutores ressaltando que a redução das tarifas médias pode beneficiar exportadores tradicionais e novos nichos de produtos. Ao mesmo tempo, há cautela quanto aos efeitos de longo prazo, em particular diante da necessidade de enfrentar barreiras não tarifárias e manter a competitividade global frente a cláusulas de regras de origem e requisitos técnicos impostos por grandes mercados.
O futuro do comércio global
Em síntese, as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos representam uma transformação do cenário comercial global, em que o Brasil e a China aparecem como os maiores beneficiados no curto prazo. Embora desafios e incertezas persistam, a mudança de regime tarifário pode abrir espaço para uma redistribuição de fluxos comerciais e reforçar discussões sobre cooperação e competição em um ambiente de comércio internacional cada vez mais fragmentado e interdependente.
Fonte: Crusoé












