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quarta-feira - 21 outubro 2026 - 12:48
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Brasil redireciona exportações e reduz impacto do tarifaço dos EUA

Levantamento mostra queda nas vendas aos EUA, mas alta de US$ 3,1 bilhões em outros mercados reforça capacidade de adaptação do país.

(Foto: Reprodução)

A diversificação dos destinos das exportações brasileiras tem amortecido o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Levantamento do jornal Valor Econômico, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), aponta que, entre agosto e outubro de 2025, o Brasil deixou de receber US$ 1,58 bilhão em vendas ao mercado norte-americano, mas compensou essa perda ao conquistar US$ 3,1 bilhões adicionais ao direcionar os mesmos bens para outros países.

De agosto a outubro, foram analisados 1.503 produtos atingidos por tarifas de até 50%, anunciadas pelo presidente Donald Trump no fim de julho. A lista foi elaborada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e inclui também itens alcançados pelas medidas da Seção 232, decretadas em abril. Para o economista-chefe do Iedi, Rafael Cagnin, os números mostram que a economia brasileira reagiu com rapidez, com setores mais próximos do início da cadeia produtiva demonstrando menor dependência dos Estados Unidos e maior capacidade de reposicionar suas vendas.

Alguns setores, porém, ainda sentem o peso das barreiras. Entre os produtos mais afetados, os semimanufaturados de ferro e aço registraram queda de 16,4% nas exportações para os EUA, que somaram US$ 491,3 milhões no período. As vendas para outros mercados avançaram 27,2%, mas o acréscimo global, de US$ 54,9 milhões, não foi suficiente para compensar a perda de US$ 96,1 milhões no mercado norte-americano, responsável por 65,7% das vendas externas do segmento.

Em outros segmentos, o redirecionamento foi mais favorável. As receitas com café destinado a novos destinos cresceram US$ 409,4 milhões, superando com folga a queda de US$ 71,2 milhões nas vendas aos Estados Unidos. No caso da carne bovina congelada, as exportações para o mercado norte-americano despencaram 60,5%, mas aumentaram 64,3% em outros países, o que garantiu um ganho adicional de US$ 1,7 bilhão. Segundo o economista do Inter, André Valério, o México se consolidou como importante destino alternativo: enquanto as vendas de carne desossada aos EUA recuaram 53,7%, as exportações para os mexicanos saltaram 174,3%, alcançando US$ 204,8 milhões.

No comércio com China, Chile, Filipinas e Rússia, também se observou aumento das compras de produtos brasileiros, reforçando o movimento de diversificação. Para a professora da Uerj e pesquisadora associada da FGV Ibre, Lia Valls, essa capacidade de adaptação fortalece a posição do Brasil nas negociações comerciais: o mercado norte-americano segue relevante, mas o efeito do tarifaço parece menor do que se temia, o que dá mais margem de manobra ao país. Em meio às tensões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump, na Malásia, no fim de outubro, para discutir alternativas que reduzam o impacto das tarifas. Apesar da queda de 24,9% nas exportações totais para os EUA no período, o aumento das vendas para outros mercados evidencia a resiliência e a competitividade do setor exportador brasileiro diante das políticas protecionistas de Washington.