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terça-feira - 01 setembro 2026 - 15:56
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Comércio China–Asean supera US$ 1 trilhão e acelera 24,7% em 2026

Navios porta-contêineres no Terminal de Qianwan, Porto de Qingdao, China

O comércio entre a China e os dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático, a Asean, ultrapassou US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2025 e ganhou velocidade no início deste ano. Dados apresentados pelo Ministério do Comércio chinês indicam que o fluxo bilateral chegou a US$ 1,05 trilhão no ano passado, avanço de 7,4%, e somou US$ 744,41 bilhões entre janeiro e julho de 2026, alta de 24,7% na comparação anual.

O resultado confirma o Sudeste Asiático como o principal eixo regional do comércio exterior chinês. A Asean respondeu por 21,8% de todas as trocas da China nos sete primeiros meses do ano. Pequim permanece como maior parceiro comercial do bloco há 17 anos, enquanto a Asean ocupa há seis anos a primeira posição entre os parceiros da economia chinesa.

Integração vai além da venda de mercadorias

A expansão não está restrita a exportações e importações. Até julho, o investimento acumulado em duas vias entre China e Asean superou US$ 515 bilhões. O volume de contratos executados por empresas chinesas em projetos no Sudeste Asiático também passou dessa marca, sinal de que infraestrutura, energia, manufatura e serviços estão cada vez mais conectados às cadeias regionais.

Parte desse movimento é explicada pela reorganização da produção asiática. Empresas distribuem etapas de fabricação entre a China e países como Vietnã, Tailândia, Malásia, Indonésia e Singapura, aproveitando especializações industriais, custos diferentes e redes logísticas próximas. Isso cria um comércio intenso de componentes antes que o produto final chegue ao consumidor.

Outro vetor é o Protocolo de Atualização 3.0 da Área de Livre Comércio China–Asean, assinado em outubro de 2025. A agenda inclui economia digital, desenvolvimento verde, comércio de serviços e facilitação de negócios. A aplicação efetiva dependerá das etapas internas de cada participante, mas o acordo oferece uma moldura para reduzir barreiras e estabelecer regras comuns em setores novos.

Feira de Nanning testa novas oportunidades

Os números foram divulgados antes da 23ª Expo China–Asean, marcada para 17 a 21 de setembro em Nanning, na região chinesa de Guangxi. A organização prevê mais de 2.200 empresas chinesas e quase mil companhias da Asean. Pela primeira vez, haverá uma área dedicada às demandas tecnológicas dos países do bloco e um mercado de inteligência artificial com mais de 400 modelos de produtos disponíveis para demonstração.

A feira funciona como uma vitrine comercial, mas também como mecanismo de conexão entre políticas públicas e decisões empresariais. Ao reunir compradores, fabricantes, investidores e governos, o evento procura transformar prioridades digitais e ambientais em contratos. O crescimento recente do comércio amplia a expectativa, embora os resultados concretos dependam dos negócios fechados durante e depois da exposição.

Por que o Brasil deve acompanhar

Para o Brasil, a consolidação dessa rede asiática traz oportunidades e competição. Países da Asean compram alimentos, minérios e energia, áreas nas quais exportadores brasileiros têm escala. Ao mesmo tempo, alguns integrantes do bloco competem com o Brasil em produtos agrícolas e oferecem bases industriais próximas ao mercado chinês.

Empresas brasileiras que desejam ampliar presença na Ásia precisam observar a região como um sistema integrado, e não como mercados isolados. Uma estratégia pode combinar vendas diretas à China, distribuição por centros logísticos do Sudeste Asiático e parcerias locais. Também é necessário acompanhar padrões técnicos, regras digitais e exigências ambientais que avançam no acordo regional.

O marco de US$ 1 trilhão mostra que a relação China–Asean deixou de ser apenas uma vizinhança comercial. Ela se tornou uma plataforma de produção e investimento com alcance global. Para o Brasil, entender essa arquitetura é essencial tanto para encontrar novos compradores quanto para defender competitividade em cadeias cada vez mais conectadas.

Direitos da imagem: Xinhua. Imagem utilizada conforme acordo de uso com a Xinhua. Crédito: Zhang Jingang / Xinhua; foto de arquivo. Para correção de crédito ou questões de direitos, entre em contato com a redação pelo canal “Contato”.