China prepara lançamento da missão Chang’e-7 para investigar água na Lua

FonteXinhua

A China entrou na etapa final de preparação para o lançamento da Chang’e-7, missão robótica destinada a ampliar o conhecimento científico sobre o polo sul da Lua. A sonda e o foguete Longa Marcha-5 Y14 foram posicionados nesta quarta-feira (19) na área de lançamento do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na província de Hainan, no sul do país. Segundo a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA, na sigla em inglês), o lançamento ocorrerá nos próximos dias, em data ainda não especificada.

Entre os principais objetivos da missão está a investigação de água e gelo na região do polo sul lunar, além do estudo das condições ambientais e dos recursos existentes na superfície. A escolha da área está relacionada ao interesse científico em regiões permanentemente sombreadas, onde as condições de iluminação e temperatura podem favorecer a preservação de substâncias voláteis, incluindo gelo de água. A Chang’e-7 deverá utilizar diferentes formas de exploração para obter informações sobre esse ambiente.

A missão foi projetada para combinar operações em órbita, pouso e deslocamento sobre a superfície lunar, além de testes de movimentação por saltos. A estratégia busca ampliar a capacidade de investigação em uma região considerada tecnicamente desafiadora. Entre as tecnologias que a China pretende desenvolver estão o pouso de alta precisão, a movimentação por meio de estruturas com pernas e a exploração de crateras que permanecem permanentemente na sombra.

O conjunto formado pela Chang’e-7 e pelo Longa Marcha-5 Y14 foi levado à área de lançamento nesta quarta-feira. A sonda havia chegado ao centro espacial em abril, transportada por via aérea, enquanto o foguete chegou em julho por via marítima. Desde então, os dois componentes passaram pelos processos de montagem e testes necessários para a preparação da missão.

A investigação da água é parte de um esforço científico mais amplo. Em 2024, a Administração Espacial Nacional da China informou que a Chang’e-7 deverá estudar o ambiente da superfície lunar, água, gelo e elementos voláteis do solo no polo sul, além de analisar características do terreno, composição e estrutura da região. A missão também contará com instrumentos desenvolvidos em cooperação com outros países e uma organização internacional.

Entre os equipamentos previstos estão instrumentos destinados à análise de materiais da superfície, ao estudo do ambiente de poeira e plasma e à observação astronômica. O orbitador também deverá transportar uma câmera hiperespectral desenvolvida em cooperação entre Egito e Bahrein e equipamentos elaborados por equipes da China e da Suíça. A participação internacional amplia o componente científico da missão e integra a Chang’e-7 a uma estratégia de cooperação em pesquisas lunares.

A missão representa a continuidade do programa chinês de exploração lunar robótica. Antes da Chang’e-7, a China realizou seis missões robóticas à Lua. As missões Chang’e-3 e Chang’e-4 levaram veículos de exploração à superfície lunar, enquanto Chang’e-5 e Chang’e-6 realizaram operações de coleta e retorno de amostras. A Chang’e-6 alcançou ainda um marco inédito ao trazer à Terra amostras do lado oculto da Lua.

O polo sul lunar ocupa posição central na próxima etapa do programa de exploração da China. Além da busca por água e gelo, a região oferece oportunidades para estudar o relevo, a composição do solo e as condições ambientais de áreas que permanecem parcialmente ou permanentemente protegidas da luz solar. Os dados obtidos pela Chang’e-7 poderão contribuir para o conhecimento científico necessário às futuras missões lunares do país.

A preparação da missão ocorre paralelamente aos planos chineses de ampliar a exploração lunar tripulada e não tripulada. A Administração Espacial Nacional da China informou anteriormente que pretende integrar recursos e capacidades desses dois programas para aumentar a eficiência das atividades de exploração da Lua. A Chang’e-7, nesse contexto, constitui uma etapa voltada principalmente à investigação científica e ao desenvolvimento de tecnologias para operações em ambientes lunares de maior complexidade.

Com a sonda e o foguete já posicionados na área de lançamento, a China se aproxima de mais uma etapa de seu programa de exploração lunar. A data exata da decolagem ainda não foi divulgada pelas autoridades, que indicaram apenas que o voo será realizado oportunamente nos próximos dias.

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