Brasil deve ampliar mercados e exportações diante de cenário internacional mais protecionista

FonteXinhua

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, defendeu nesta quarta-feira (19) a ampliação da presença brasileira no comércio internacional e a busca por novos mercados para os produtos nacionais. Durante a quinta edição do Fórum Saúde, realizada em Brasília, Alckmin afirmou que o Brasil precisa aumentar suas exportações e aproveitar o espaço existente no mercado global. A declaração ocorre em um momento de maior pressão sobre o comércio internacional, marcado pela adoção de novas barreiras tarifárias pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo Alckmin, o Brasil responde atualmente por cerca de 2% do mercado mundial, o que significa que a maior parte da demanda internacional permanece fora do alcance das empresas brasileiras. O vice-presidente citou ainda o desempenho recente das vendas externas do país e informou que as exportações brasileiras alcançaram US$ 349 bilhões no ano passado.

A estratégia de diversificação ganhou importância diante das dificuldades enfrentadas por empresas brasileiras no mercado norte-americano. O governo brasileiro vem defendendo a negociação com Washington ao mesmo tempo que procura ampliar as relações comerciais com outros parceiros. Em agosto, o Brasil acionou formalmente a Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, enquanto mantém a busca por uma solução negociada para o impasse.

Para o governo, a abertura de novos destinos pode reduzir a exposição das exportações brasileiras às decisões comerciais adotadas individualmente por grandes economias. A orientação de ampliar mercados já havia sido apresentada por Alckmin em julho, quando o vice-presidente afirmou que a estratégia brasileira diante das novas tarifas norte-americanas deveria combinar a continuidade das negociações com a procura por oportunidades comerciais em outros países.

O movimento também ocorre em meio a esforços para ampliar a capacidade de financiamento das empresas brasileiras interessadas em atuar no exterior. Alckmin destacou a aprovação de medidas que permitem ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiar empresas na entrada em mercados internacionais. Também mencionou a aprovação de uma proposta para criação de um fundo destinado a ampliar o crédito para exportadores brasileiros, apresentada como parte da resposta do governo aos efeitos das tarifas norte-americanas.

A expansão das exportações, segundo a abordagem apresentada pelo vice-presidente, não depende apenas do aumento do volume comercializado, mas também da capacidade de inserir empresas brasileiras em diferentes mercados. A diversificação pode envolver tanto produtos tradicionalmente competitivos do país quanto bens industriais e serviços com maior valor agregado, ampliando as possibilidades de participação brasileira nas cadeias internacionais de produção e comércio.

Durante o Fórum Saúde, Alckmin também relacionou a política comercial ao fortalecimento da produção nacional em setores estratégicos. Na área da saúde, o governo estabeleceu como objetivo elevar para 70% até 2033 a participação da produção nacional no atendimento das necessidades de medicamentos, insumos farmacêuticos e vacinas. Atualmente, segundo dados apresentados pelo vice-presidente, esse percentual está próximo de 50%.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que também participou do evento, afirmou que o Complexo Econômico-Industrial da Saúde já recebeu R$ 1,7 bilhão em linhas de crédito dentro da estratégia de fortalecimento do setor. Ele também mencionou investimentos previstos de R$ 4 bilhões em inteligência artificial, incluindo aplicações voltadas à área da saúde.

A defesa de novos mercados se insere, portanto, em uma política mais ampla de fortalecimento da indústria e ampliação da participação brasileira no comércio exterior. Ao mesmo tempo em que busca preservar canais de negociação com os Estados Unidos, o governo pretende ampliar as alternativas para empresas brasileiras, em um cenário no qual medidas protecionistas têm ganhado espaço no comércio internacional.

Para o Brasil, a diversificação dos destinos das exportações representa uma frente estratégica diante desse ambiente. O desafio consiste em transformar a ampla participação potencial do país no mercado mundial em oportunidades efetivas para empresas de diferentes setores, ampliando as vendas externas e reduzindo a concentração em determinados parceiros comerciais.

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