China reforça proteção do rio Amarelo em meio a novos avanços na recuperação de bacias hidrográficas

O presidente da China, Xi Jinping, pediu o aprimoramento da proteção ambiental e da coordenação entre diferentes regiões e órgãos responsáveis pela gestão do rio Amarelo. A orientação foi transmitida em 2 de novembro, durante uma conferência realizada em Zhengzhou, na província de Henan, dedicada à proteção e à governança da segunda maior bacia hidrográfica do país.

Xi defendeu a continuidade das ações de proteção ecológica e desenvolvimento de alta qualidade na região, além do uso mais eficiente dos recursos hídricos. A diretriz também prevê fortalecer a coordenação entre as áreas atravessadas pelo rio, preservar sua importância cultural e garantir que seus recursos possam beneficiar as próximas gerações.

O vice-primeiro-ministro Liu Guozhong, que participou do encontro, pediu esforços conjuntos para aprimorar a gestão da bacia, ampliar a conservação da água e melhorar a utilização dos recursos hídricos. A conferência também apresentou um balanço dos 80 anos de ações de controle e recuperação do rio.

Com 5.464 quilômetros de extensão, o rio Amarelo atravessa nove províncias e regiões autônomas, desde áreas de planalto e regiões desérticas até sua foz no mar de Bohai, na província de Shandong. Historicamente sujeito a grandes inundações, assoreamento e mudanças de curso, o rio é considerado estratégico para a segurança hídrica, a agricultura e a preservação ambiental no norte da China.

Qualidade da água e recuperação ambiental

A nova orientação foi divulgada poucos dias depois de o Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China apresentar os dados nacionais de qualidade das águas superficiais referentes aos primeiros nove meses de 2026.

Segundo o levantamento publicado em 29 de outubro, 86,1% dos pontos monitorados em rios, lagos e reservatórios apresentaram qualidade classificada entre as categorias I e III, consideradas de boa qualidade. O índice representa aumento de 1,7 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.

Nas principais bacias hidrográficas do país, incluindo a do rio Amarelo, a proporção de águas nas categorias I a III chegou a 87,1%, também com crescimento de 1,7 ponto percentual na comparação anual. O ministério classificou a qualidade da água do rio Amarelo como boa no período.

Outro indicador apresentado recentemente diz respeito à continuidade do fluxo do rio. Em agosto, o Ministério dos Recursos Hídricos informou que o Amarelo havia completado 27 anos consecutivos sem interrupção de seu curso. O resultado é associado ao sistema de gestão integrada da distribuição de água, implantado em 1999 para coordenar o uso dos recursos entre diferentes regiões e atividades.

A estratégia também envolve a recuperação de ecossistemas. Em junho, foi iniciada a reposição de água na Reserva Natural Nacional do Delta do Rio Amarelo, com previsão de mais de 150 milhões de metros cúbicos destinados à recuperação ambiental da área em 2026.

No delta, localizado em Shandong, a restauração de áreas úmidas tem sido associada à recuperação de habitats para aves migratórias. Segundo informações divulgadas pela Xinhua em novembro, o número de espécies de aves registradas na área protegida aumentou de 187, quando a reserva foi criada, para 407.

Brasil também amplia investimentos em recuperação de rios

No Brasil, uma iniciativa recente também busca combinar recuperação da vegetação nativa, conservação da água e segurança hídrica em uma das principais bacias do país. O edital Águas do São Francisco prevê R$ 20 milhões para projetos de restauração ecológica e revitalização dos recursos hídricos nas áreas de influência dos reservatórios de Sobradinho e Itaparica, entre Bahia e Pernambuco.

A chamada pública foi aprovada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito da iniciativa Floresta Viva, em parceria com o Comitê Gestor da Conta do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos das Bacias dos Rios São Francisco e Parnaíba. Os recursos serão divididos entre as duas instituições, com R$ 10 milhões de cada uma.

A iniciativa abrange 44 municípios e prevê selecionar projetos de restauração de vegetação nativa em áreas estratégicas para a segurança hídrica e energética. As inscrições permanecem abertas até 2 de dezembro de 2026.

A comparação entre os dois rios evidencia desafios comuns a países de dimensões continentais: conciliar abastecimento, agricultura, desenvolvimento econômico, conservação da biodiversidade e prevenção de impactos ambientais. Embora os programas chineses e brasileiros tenham estruturas próprias e não façam parte de uma iniciativa bilateral, suas experiências oferecem referências para o debate sobre gestão integrada de bacias hidrográficas.

No caso chinês, a coordenação entre as nove províncias e regiões atravessadas pelo rio Amarelo é um dos pontos destacados pelas autoridades. No Brasil, a recuperação do São Francisco depende da articulação entre governos, instituições financeiras, órgãos ambientais e comunidades que vivem na região.

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