China e EUA negociam redução recíproca de tarifas sobre US$ 30 bilhões em produtos

China e Estados Unidos iniciaram consultas para estabelecer um acordo-quadro de redução tarifária recíproca que abrangeria produtos no valor de US$ 30 bilhões de cada lado, informou o Ministério do Comércio da China. As negociações buscam transformar em medidas concretas o consenso alcançado pelos presidentes dos dois países durante reunião em Beijing.

Segundo a porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Huang Ling, as equipes econômicas e comerciais de ambos os países estão conduzindo as consultas com o objetivo de colocar o acordo em prática o quanto antes. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa realizada em Beijing na quinta-feira (10).

A discussão sobre redução tarifária faz parte de um processo de negociação comercial que vem sendo construído entre Beijing e Washington ao longo de 2026. Em maio, os dois lados haviam concordado, em princípio, em discutir uma estrutura para redução recíproca de tarifas sobre produtos de escala e valor equivalentes, tendo os US$ 30 bilhões ou mais para cada lado como referência.

O mecanismo também está relacionado aos novos canais institucionais criados pelos dois países para administrar questões comerciais e de investimento. Em julho, o Ministério do Comércio chinês informou que estava coletando opiniões de empresas, associações empresariais e governos locais sobre as possíveis reduções tarifárias, enquanto os Estados Unidos também realizavam consultas sobre o funcionamento desses mecanismos.

A negociação ocorre em uma relação comercial marcada, nos últimos anos, por sucessivas disputas sobre tarifas, acesso a mercados e restrições a determinados produtos e empresas. Para empresas dos dois países, uma redução recíproca de tarifas pode diminuir custos de comércio e criar condições mais previsíveis para operações envolvendo os dois mercados.

Ainda não foram divulgados pelo Ministério do Comércio da China a lista definitiva de produtos abrangidos, as respectivas alíquotas ou a data para a entrada em vigor do acordo. Por isso, a iniciativa permanece na fase de consultas e não representa, até o momento, um acordo tarifário definitivo.

A retomada das negociações também ocorre em preparação para uma nova etapa de diálogo de alto nível entre Beijing e Washington. A evolução do acordo-quadro poderá depender das próximas discussões entre os governos e da definição dos produtos e tarifas que serão efetivamente contemplados.

Para além do valor previsto, a negociação representa uma tentativa de estabelecer mecanismos para administrar as diferenças comerciais entre as duas maiores economias do mundo. A eventual redução recíproca poderá aliviar parte das barreiras existentes e servir como instrumento para estabilizar o comércio bilateral, caso os dois lados cheguem a um entendimento sobre os detalhes.

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