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Os países do BRICS adotaram uma nova agenda de cooperação em ciência, tecnologia e inovação que reúne inteligência artificial, computação de alto desempenho, biotecnologia, energia, oceanos, prevenção de desastres e formação de pesquisadores. O chamado Consenso de Chennai foi aprovado em 21 de agosto, durante a reunião ministerial do grupo realizada na Índia.
O documento procura organizar programas que se multiplicaram com a expansão do BRICS. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, a declaração prevê uma revisão da arquitetura dos grupos de trabalho, com procedimentos de governança e planejamento mais integrados. O objetivo é transformar discussões diplomáticas em projetos e chamadas de pesquisa com continuidade.
Uma das frentes mais concretas é o compartilhamento de grandes instalações científicas. O plano menciona a operacionalização da BRICS Global Research Advanced Infrastructure Network, conhecida como BRICS-GRAIN. A rede pretende facilitar acesso a laboratórios, equipamentos de grande porte, pesquisa conjunta, mobilidade de especialistas e formação técnica.
O consenso também acolheu a proposta de um repositório de ciência e pesquisa. A plataforma deverá reunir informações sobre instituições, pesquisadores, resultados, conjuntos de dados e infraestrutura disponível nos países participantes. O texto ressalta que o compartilhamento continuará sujeito às leis nacionais e às regras de governança de dados.
Startups e jovens pesquisadores ganharam espaço. A declaração reconhece uma plataforma virtual para startups lideradas por jovens e registra que a criação de um fundo de inovação do BRICS está em consideração. Essa formulação é importante: o fundo ainda não foi formalmente criado, e detalhes sobre capital, critérios de seleção e gestão permanecem indefinidos.
Outra iniciativa em análise é uma rede de comunicação de alta velocidade por cabos submarinos entre países do grupo. A força-tarefa seguirá discutindo a viabilidade técnica e econômica do projeto. Não há decisão de construção nem orçamento aprovado, mas o estudo pode ganhar relevância diante da demanda crescente por conectividade, centros de dados e rotas digitais diversificadas.
Reportagens de veículos indianos, incluindo a agência IANS, destacaram que a cooperação já reúne 14 grupos temáticos, 11 edições do Fórum de Jovens Cientistas e nove chamadas do Programa-Quadro de Ciência, Tecnologia e Inovação. A escala mostra capacidade institucional, mas o impacto dependerá de financiamento e acesso efetivo às iniciativas.
Para Brasil e China, a agenda cria oportunidades em áreas nas quais os dois países já mantêm diálogo, como inteligência artificial, pesquisa espacial, agricultura, energia limpa e monitoramento ambiental. Instituições brasileiras podem ampliar acesso a equipamentos e parceiros, enquanto centros chineses encontram novas redes para testar tecnologias e desenvolver projetos no Sul Global.
A China assumirá a presidência do BRICS em 2027 e coordenará a próxima etapa da agenda ministerial. Até lá, reuniões sobre inteligência artificial, computação, materiais, astronomia, biotecnologia e transferência de tecnologia deverão detalhar os compromissos. O Consenso de Chennai estabelece direção política; seus resultados serão medidos pelos projetos financiados, pela participação de pesquisadores e pelo uso compartilhado da infraestrutura prometida.









