As 5.557 companhias que divulgaram balanços semestrais nas bolsas da China registraram lucro líquido combinado de 3,58 trilhões de yuans no primeiro semestre de 2026, alta de 19,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O levantamento foi publicado pela Associação Chinesa de Companhias Abertas (CAPCO) e inclui empresas listadas em Xangai, Shenzhen e Pequim.
A receita total alcançou 37,76 trilhões de yuans, crescimento anual de 7,6%. Cerca de três em cada quatro companhias permaneceram lucrativas, enquanto 2.015 empresas aumentaram simultaneamente receita e lucro. Os números agregados apontam recuperação da rentabilidade, mas também revelam grande diferença entre setores e segmentos do mercado.
Tecnologia concentra os maiores avanços
As empresas do STAR Market, segmento de Xangai voltado à inovação científica e tecnológica, tiveram crescimento de quase 40% na receita e multiplicaram o lucro líquido por 4,4. No ChiNext, mercado de Shenzhen associado a empresas de crescimento, a receita aumentou 22,3% e o lucro avançou 32,7%.
O relatório atribui parte relevante da melhora a semicondutores, infraestrutura de inteligência artificial, biotecnologia e equipamentos de alto padrão. O lucro das companhias de circuitos integrados cresceu 2,4 vezes. Nas empresas privadas listadas, a expansão foi de 29,6%, acima da média geral.
A fotografia positiva não significa desempenho uniforme. Dez das 19 grandes categorias industriais registraram avanço simultâneo de receita e lucro. Em outras áreas, margens e demanda continuaram mais pressionadas. Além disso, taxas muito altas em setores tecnológicos podem refletir bases de comparação reduzidas, novos ingressos em bolsa ou recuperação após períodos de prejuízo.
Mais pesquisa, vendas externas e retorno ao acionista
As companhias listadas investiram 847,3 bilhões de yuans em pesquisa e desenvolvimento, 3% a mais que no primeiro semestre de 2025. A intensidade média de P&D ficou em 2,24% da receita, enquanto no STAR Market permaneceu acima de 10% pelo quarto ano consecutivo.
A internacionalização também avançou. As 3.196 empresas que informaram receitas no exterior somaram 6,06 trilhões de yuans nessas operações, crescimento anual de 22,9%. Em 553 companhias, mais da metade da receita veio de mercados estrangeiros. O resultado ajuda a explicar a crescente presença de fornecedores chineses em eletrônicos, baterias, equipamentos industriais e soluções digitais.
Na remuneração ao investidor, 872 empresas anunciaram dividendos intermediários que totalizaram 740,3 bilhões de yuans. Outras 1.051 divulgaram planos de recompra de ações superiores a 220 bilhões de yuans. A agência Xinhua confirmou os principais dados do relatório e destacou a contribuição da manufatura avançada para o resultado.
Leitura para empresas e investidores brasileiros
Para o Brasil, a expansão das companhias chinesas pode ter efeitos em duas direções. Empresas brasileiras que importam máquinas, componentes e tecnologias podem encontrar fornecedores com maior capacidade de investimento e inovação. Ao mesmo tempo, fabricantes locais enfrentarão concorrentes mais capitalizados e dispostos a ampliar operações externas.
Os números também interessam a exportadores de matérias-primas, mas não devem ser usados como indicador automático de demanda por commodities. O crescimento está concentrado em segmentos tecnológicos, e o comportamento de minério, petróleo, soja e carnes depende de fatores mais amplos, como construção, consumo, estoques e política macroeconômica.
O relatório da CAPCO é uma fotografia do primeiro semestre e não uma recomendação de investimento. Resultados futuros dependerão da demanda doméstica, do comércio internacional, de políticas industriais e da capacidade de transformar gastos em pesquisa em receitas sustentáveis.









