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sábado - 22 agosto 2026 - 00:54
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Brasil acelera infraestrutura de IA e amplia cooperação tecnológica com a China

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Ilustração de um centro de dados conectado digitalmente entre Brasil e China. Ilustração gerada por IA pela Agência Brasil China.

O Brasil abriu uma nova etapa de sua estratégia de inteligência artificial e computação avançada ao anunciar investimentos em supercomputação, infraestrutura nacional de dados e formação tecnológica. O conjunto de iniciativas inclui um supercomputador de alto desempenho, a estruturação da chamada Nuvem Brasileira e um projeto de cooperação com as empresas chinesas Huawei e iFlytek.

As medidas foram apresentadas pelo governo federal em 20 de agosto, durante evento no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, no Rio Grande do Norte. Para o Brasil, o desafio vai além de ampliar a capacidade de processamento: envolve desenvolver modelos de inteligência artificial em português, formar profissionais e reduzir dependências em áreas consideradas estratégicas.

Supercomputação como infraestrutura estratégica

O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) informou que conduzirá a implantação de um novo supercomputador voltado à inteligência artificial. A máquina deverá ser instalada no PAX e ampliar a capacidade disponível para pesquisa científica, inovação e desenvolvimento de aplicações de IA no país.

Segundo informações divulgadas sobre o projeto, o equipamento poderá alcançar cerca de 7,2 mil petaflops em operações de precisão FP16. A previsão é que a infraestrutura entre em operação no fim de 2027. A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que busca fortalecer a capacidade computacional e científica nacional.

Parceria com empresas chinesas

Outra frente envolve Huawei e iFlytek em uma infraestrutura de supercomputação prevista para o Rio de Janeiro. Informações divulgadas sobre o projeto apontam investimento estimado em R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos, com participação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

O projeto prevê pesquisa e desenvolvimento, transferência de tecnologia, capacitação profissional e criação de modelos de linguagem e outras soluções de IA em português. A operação está prevista para começar em julho de 2027.

A presença de empresas chinesas nesse processo amplia uma cooperação tecnológica que já avançou no Brasil em telecomunicações, computação em nuvem e formação técnica. Ao mesmo tempo, torna mais relevante a definição de regras claras sobre controle de dados, segurança, transparência e autonomia operacional.

Nuvem Brasileira e soberania digital

O pacote anunciado pelo governo também inclui a Nuvem Brasileira. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) participa do grupo interinstitucional que prepara a consulta ao mercado, ao lado do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, do BNDES e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

De acordo com o Serpro, o modelo deverá considerar interoperabilidade, padrões abertos, participação de fornecedores nacionais e redução de dependências tecnológicas. A discussão parte do princípio de que soberania digital não depende apenas do local onde os dados são armazenados, mas também do controle sobre operação, chaves de segurança, atualizações, licenças e continuidade dos serviços.

O que a cooperação representa para Brasil e China

Para o Brasil, a combinação de infraestrutura própria com cooperação internacional pode acelerar a formação de especialistas e o desenvolvimento de ferramentas adaptadas ao idioma português e às necessidades do setor público, da ciência e das empresas brasileiras.

Para a relação Brasil-China, o projeto indica uma mudança gradual do foco tradicional em comércio de commodities e infraestrutura física para áreas de maior intensidade tecnológica. Inteligência artificial, nuvem, semicondutores, conectividade e capacitação profissional passam a ocupar espaço crescente na agenda bilateral.

O resultado dependerá, porém, da execução dos investimentos, da efetiva transferência de conhecimento e da capacidade brasileira de estabelecer mecanismos de governança que preservem segurança, concorrência e autonomia tecnológica. Esses elementos serão decisivos para saber se a nova infraestrutura produzirá apenas capacidade computacional ou um ecossistema duradouro de inovação no país.

Imagem de capa: ilustração gerada por IA / Agência Brasil China.