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sexta-feira - 31 julho 2026 - 15:03
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China e Brasil ampliam diálogo sobre cooperação em terras raras

Tecnologia, processamento e desenvolvimento industrial ganham destaque nas conversas entre os dois países sobre minerais estratégicos

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China e Brasil avançam no diálogo sobre uma possível ampliação da cooperação no setor de terras raras, em um momento em que os minerais críticos assumem papel cada vez mais estratégico para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética mundial. Representantes do setor mineral brasileiro afirmam que interlocutores chineses demonstraram disposição para aprofundar parcerias, inclusive em áreas de maior complexidade tecnológica, como a separação e o processamento desses elementos.

De acordo com dirigentes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), as conversas realizadas com representantes chineses indicam um ambiente favorável ao fortalecimento da cooperação bilateral. A avaliação é de que existem oportunidades para ampliar investimentos, compartilhar conhecimento técnico e desenvolver conjuntamente etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.

Fontes ligadas ao setor mineral brasileiro também relatam que a possibilidade de cooperação tecnológica foi discutida durante os contatos recentes entre os dois países. Embora não exista, até o momento, um acordo formal anunciado, o diálogo reforça o interesse mútuo em aprofundar a parceria em um segmento considerado estratégico para o desenvolvimento industrial.

O tema também esteve presente na recente conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês Xi Jinping. Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro, os dois líderes abordaram a ampliação da cooperação em áreas de alta tecnologia, incluindo inteligência artificial, satélites e processamento de minerais críticos.

Especialistas destacam que o principal desafio da cadeia das terras raras não está apenas na extração do minério, mas principalmente nas etapas de separação, refino e industrialização, responsáveis por transformar o recurso mineral em insumos utilizados na fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e diversas aplicações industriais de alta tecnologia.

Nesse cenário, a China ocupa posição de destaque mundial por concentrar conhecimento tecnológico e capacidade industrial em praticamente todas as etapas da cadeia produtiva das terras raras. O país lidera a produção global de materiais processados e de ímãs permanentes, consolidando-se como um dos principais fornecedores para diversos setores industriais.

Ao mesmo tempo, o Brasil busca transformar seu potencial geológico em uma indústria nacional mais robusta. A estratégia defendida pelo governo brasileiro prioriza a atração de investimentos, transferência de tecnologia e instalação de unidades de processamento e refino em território nacional, agregando maior valor aos recursos minerais produzidos no país.

Atualmente, diversos projetos brasileiros de terras raras contam com participação de empresas sediadas ou listadas em mercados ocidentais, enquanto os Estados Unidos também ampliaram seu interesse em financiar iniciativas voltadas ao processamento desses minerais. Nesse contexto, a ampliação do diálogo com a China pode fortalecer a capacidade de negociação do Brasil e ampliar as alternativas para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional.

Para representantes do setor mineral, a crescente disputa internacional por minerais críticos abre espaço para que o Brasil estabeleça parcerias com diferentes países, aproveitando investimentos, tecnologia e conhecimento para consolidar uma indústria doméstica competitiva e integrada às cadeias globais de valor.