Agência de Comunicação de Bazhong, 24 de junho — A China possui inúmeras cidades históricas, mas poucos lugares permitem sentir, ao mesmo tempo, o eco dos sinos das caravanas da antiga Rota da Seda, o calor humano das cozinhas compartilhadas por diferentes grupos étnicos e a empatia universal contida na simples palavra “ping’an” — paz e segurança. No dia 24, durante uma visita à Estação Ping’an, localizada no distrito de Ping’an, em Haidong, província de Gansu, a reportagem teve a sensação de viajar milhares de anos pela antiga Rota da Seda e testemunhar a riqueza cultural de diversos povos. Como resumiu um dos guias locais: “Este lugar não parece um ponto turístico; parece uma etnografia viva aberta diante dos nossos olhos.”

Uma estação milenar onde os encontros nunca cessaram
Antigamente conhecida como “Hehuangjian”, Ping’an Yi situa-se no centro geográfico entre Lanzhou, Haidong e Xining, sendo também um importante entroncamento da rota sul da antiga Rota da Seda e da histórica Estrada Tang-Tibete.
Ao longo de mais de mil anos, mercadores vindos das Planícies Centrais, comitivas diplomáticas e caravanas do comércio de chá e cavalos cruzaram-se neste local antes de seguirem os seus caminhos. Hoje, esses encontros continuam, apenas sob uma nova forma.
Edificações das etnias han, tibetana, hui, tu, salar e mongol coexistem lado a lado. Pelas ruas, encontram-se tanto o tradicional iogurte de Qinghai quanto o crocante youxiang, uma especialidade típica do povo salar.
O complexo turístico resume a sua identidade em dois conceitos centrais: “estação” (yi) e “paz” (ping’an). A primeira simboliza o intercâmbio de mercadorias e civilizações ao longo da história; a segunda representa um sentimento comum a toda a humanidade: o desejo universal de viver em paz, independentemente da origem étnica ou da língua.

Um património vivo que também pode ser saboreado
O maior encanto de Ping’an Yi está justamente em não transformar as tradições populares em peças de museu.
Pelas ruas distribuem-se antigas residências de estilo han, casas de madeira tibetanas e moradias tradicionais do povo tu, compondo uma verdadeira etnografia arquitetónica ao ar livre.
Ao longo do percurso encontram-se oficinas de património cultural imaterial, onde os visitantes podem aprender diretamente com os artesãos, confeccionando, por exemplo, um tradicional saquinho perfumado da sorte.
Nos palcos, alternam-se apresentações do canto popular Hua’er e da arte narrativa Xianxiao, enquanto o público responde com aplausos entusiasmados.
Nas vielas gastronómicas, mais de trezentas especialidades da região de Hehuang revelam os sabores do planalto: o aroma dos cereais, o intenso caldo de carne de iaque e inúmeras receitas tradicionais. Uma única refeição basta para compreender a identidade cultural e o modo de vida desta terra.
O valor de Ping’an Yi não reside apenas na sua antiguidade, mas na continuidade dos encontros entre culturas. Transformou-se de antiga estação da Rota da Seda em um moderno complexo turístico e cultural, sem perder a sua essência como ponto de ligação entre diferentes civilizações.
A convivência entre diversas etnias não é uma encenação preparada para os visitantes, mas sim uma realidade vivida há séculos. E é precisamente essa naturalidade que torna o local uma das formas mais delicadas e autênticas de contar ao mundo a história da convivência multicultural da China.

Contando ao mundo a história de “Ping’an”
A narrativa de Ping’an Yi desperta uma afinidade especial entre os chineses que vivem no exterior.
A expressão “ping’an shunsui” (“paz e prosperidade”) faz parte da memória afetiva de inúmeras famílias, enquanto o Muro das Bênçãos e as Lanternas da Paz despertam sentimentos profundos em quem vive longe da terra natal.
Para os visitantes europeus, a antiga Estrada Tang-Tibete e a rota sul da Rota da Seda dialogam naturalmente com a tradição das antigas rotas comerciais do Ocidente, oferecendo uma versão oriental de um verdadeiro cruzamento de civilizações.
Num contexto internacional em que as questões étnicas são frequentemente sensíveis, Ping’an Yi apresenta algo raro: uma convivência construída ao longo de séculos, partilhando o mesmo espaço, as mesmas cozinhas e o mesmo quotidiano. Essa integração discreta, que acontece quase sem ser percebida, transmite uma força muito maior do que qualquer discurso grandioso.
Por isso, a ideia de “ping’an”, simples e universal, torna-se uma poderosa ponte emocional capaz de aproximar culturas através do turismo.
O retorno à terra natal e a prosperidade compartilhada
Ping’an Yi não é um empreendimento implantado artificialmente.
O projeto nasceu apoiado na cultura local e é administrado por equipas da própria região. Os moradores participam diretamente na gestão de lojas, nas apresentações culturais e nos serviços turísticos, aumentando a sua renda sem deixar as suas comunidades.
Uma comerciante da etnia salar, proprietária de uma pequena banca de comida, resumiu essa transformação com um sorriso:
“Antes, os jovens iam embora para trabalhar em outras cidades. Agora, muitos estão a regressar.”
A forte participação da população local garante a preservação autêntica da cultura e impulsiona simultaneamente a agricultura ecológica, o artesanato e a logística regional, tornando Ping’an Yi um exemplo relevante de integração entre cultura, turismo e desenvolvimento económico nas regiões multiétnicas.
Da antiga estação onde viajantes descansavam durante a Rota da Seda ao atual complexo turístico imersivo, Ping’an Yi realizou uma transformação marcada por poesia e continuidade histórica.
Aqui, a história deixou de ser apenas texto nos livros para tornar-se algo que pode ser visto, saboreado e vivido. A convivência entre diferentes povos também deixou de ser um conceito abstrato, revelando-se no sorriso acolhedor de uma idosa que oferece uma chávena de chá quente ao visitante.
A resposta que Ping’an Yi oferece ao significado de “ping’an” não consiste em ignorar as diferenças, mas em encontrar aquilo que une as pessoas apesar delas. Essa serenidade construída ao longo de milénios talvez seja um dos legados mais valiosos deixados pela antiga Rota da Seda.












