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segunda-feira - 02 novembro 2026 - 09:35
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Queiroga diz desconhecer existência de ‘gabinete paralelo’

Ministro da Saúde admitiu encontros pontuais com alguns dos supostos integrantes do que seria o grupo de aconselhamento

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou à CPI da Covid, do Senado Federal, nesta terça-feira (8), que desconhece a atuação de um suposto gabinete paralelo para aconselhamento e tomada de decisões relativas ao combate à pandemia de covid-19 no país.

A atuação do grupo, que teria sido responsável por aconselhar o tratamento precoce com cloroquina, remédio considerado ineficaz contra covid-19 pela maior parte da classe médica e científica, é um dos principais pontos de investigação da CPI.

“Eu desconheço essa atuação em paralelo. Nunca vi esse grupo atuando em paralelo. Não tenho contato com esse grupo”, afirmou o ministro à comissão.

Queiroga disse ter tido contatos isolados, no entanto, com alguns dos supostos membros do ‘gabinete paralelo’, como a médica Nise Yamaguchi, o empresário Carlos Wizard e o deputado federal Osmar Terra.

O ministro, por outro lado, negou contato com o Arthur Weintraub – irmão do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub -, e com o virologista Paolo Zanotto, que aparece em vídeo de reunião divulgado pelo portal “Metrópoles” afirmando ser necessário “tomar um extremo cuidado” em relação a vacinas no país.

O ministro também admitiu que um representante do ministério se reuniu com parte dos supostos membros do gabinete paralelo. “O fato desses médicos defenderem tratamento A, B, C ou D, não quer dizer que o ministro da Saúde não possa participar”, disse. “Não quer dizer que se eu participar do evento, ratifique o que há ali, mas não participei”, concluiu.

Protocolo da cloroquina

O ministro afirmou que recebeu a médica Nise Yamaguchi no Ministério da Saúde e que ela lhe entregou um protocolo de cloroquina usado em Cuba. “A professora Nise Yamaguchi eu recebi no ministério uma vez e ela me entregou um protocolo de cloroquina que era usado em Cuba, e eu recebi. Me entregou, mostrou aquilo lá, e eu recebi, como recebo outras pessoas”, afirmou. Ele não detalhou qual o uso dado ao documento.

Nise Yamaguchi é oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e desde o ano passado participou de reuniões com o governo para discussões relativa à pandemia. Nise já prestou depoimento à CPI e voltou a defender o tratamento precoce e o uso de remédios como a cloroquina contra o novo coronavírus.

Bulas de vacinas

Queiroga teve uma discussão com o senador Otto Alencar (PSD-BA) O bate-boca começou após o senador perguntar se Queiroga tinha lido bulas das vacinas que estão sendo usadas no país, e a resposta foi que não. Otto classificou a atitude como “irresponsável”.

Queiroga respondeu: “Vossa excelência não pode querer desqualificar a autoridade sanitária do Brasil por ter lido ou não uma bula”, respondeu. “O senhor está levantando a voz para mim”, rebateu Alencar.