A China criticou nesta quarta-feira (14) declarações do presidente de Taiwan, Lai Ching-te, sobre a história da Segunda Guerra Mundial. Em entrevista coletiva, Chen Binhua, porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, acusou as autoridades da ilha de distorcer fatos históricos para promover o que Pequim classifica como separatismo.
A crítica ocorreu após Lai afirmar, em discurso no Dia Nacional de Taiwan, em 10 de outubro, que a manutenção da paz exige uma compreensão correta da história e que não se deve tolerar distorções sobre a Segunda Guerra Mundial. O presidente também disse que Taiwan valoriza a paz, mas não abrirá mão da liberdade, e defendeu que o futuro da ilha seja decidido por sua população.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Chen afirmou que a vitória contra o Japão e o retorno de Taiwan ao controle chinês em 1945 foram resultados da resistência do povo chinês durante a guerra. Pequim considera que a ilha integra o território da China e que a reunificação é um objetivo nacional.
O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan contestou a declaração chinesa no dia seguinte ao discurso de Lai. Em comunicado, afirmou que a República da China — nome oficial usado pelo governo taiwanês — e a República Popular da China são governos distintos e não subordinados um ao outro. A pasta também sustentou que somente os 23 milhões de habitantes de Taiwan podem decidir o futuro da ilha e pediu a Pequim que encerre o que chamou de retórica que eleva as tensões.
História e situação política
Taiwan esteve sob domínio japonês de 1895 a 1945. Após a rendição do Japão, representantes da República da China aceitaram a rendição japonesa na ilha. Em 1949, depois da vitória comunista na guerra civil chinesa, o governo da República da China se transferiu para Taiwan. Desde então, a ilha é governada separadamente da República Popular da China, fundada naquele ano em Pequim.
Os dois governos apresentam interpretações diferentes sobre as consequências desses acontecimentos. Pequim afirma que a soberania chinesa sobre Taiwan não foi interrompida e que a República Popular representa toda a China. O governo taiwanês afirma que a ilha tem governo próprio e que sua população deve decidir seu futuro. A soberania sobre Taiwan permanece objeto de disputa política e diplomática.
A controvérsia recente também envolveu a relação entre Pequim e Washington. Na coletiva de quarta-feira, um jornalista perguntou sobre a declaração de autoridades taiwanesas de que uma reunião entre os presidentes da China e dos Estados Unidos, em setembro, teria apresentado uma narrativa histórica equivocada ao tratar os dois países como aliados na Segunda Guerra Mundial. Lai também fez referência à disputa histórica em seu discurso de 10 de outubro.
Em sua fala, Lai defendeu o fortalecimento da defesa de Taiwan como forma de dissuadir um conflito, e não de provocá-lo. O Escritório de Assuntos de Taiwan rejeitou essa justificativa e afirmou que as iniciativas militares do governo da ilha aumentam o risco de confronto. Pequim também sustenta que o diálogo entre os dois lados depende da aceitação do princípio de uma só China, posição rejeitada pelo governo taiwanês.
As declarações ocorrem em meio a tensões persistentes no Estreito de Taiwan, onde China e Taiwan mantêm forças militares e seguem em desacordo sobre o status político da ilha. A crítica chinesa e a resposta taiwanesa expressam as posições oficiais de cada governo; elas não alteram, por si só, a realidade de que Taiwan é governada separadamente desde 1949 nem encerram a disputa sobre soberania.



