Brasil aposta no Galeão para ampliar conexões aéreas

A nova gestão do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, planeja ampliar a oferta de voos e fortalecer as conexões domésticas e internacionais. A concessionária espanhola Aena, que assumiu o controle do terminal em 6 de outubro, prevê aumentar frequências em 30 destinos na próxima temporada de verão: 18 domésticos e 12 internacionais, segundo informações apresentadas pela empresa.

O plano foi divulgado em 13 de outubro, em evento com participação do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. O governo federal informou que, de janeiro a agosto, o Galeão movimentou 12,67 milhões de passageiros, alta de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025. O fluxo internacional chegou a 4,32 milhões, crescimento de 13,8%.

A estratégia busca aproveitar a capacidade disponível no aeroporto e atrair mais passageiros para voos internacionais. Uma possibilidade em discussão é coordenar a malha doméstica do Galeão com a de Congonhas, em São Paulo, também administrado pela Aena. A ideia é facilitar conexões para passageiros de outras regiões do país, que poderiam seguir pelo Rio em viagens ao exterior.

A ampliação de frequências não significa que todos os 30 destinos sejam novas rotas. O plano combina aumento de voos em ligações existentes, retomadas sazonais e possíveis novas operações. A oferta final dependerá de negociações com as companhias aéreas e da demanda de passageiros.

Investimentos comerciais e nova concessão

A Aena também estima cerca de R$ 1 bilhão em investimentos de terceiros no complexo aeroportuário nos próximos três anos. Entre os projetos apresentados estão um hotel internacional, um centro de testes automotivos da BYD, um hangar de manutenção de aeronaves da Gol e novos galpões logísticos.

O valor se refere a empreendimentos comerciais privados previstos no sítio aeroportuário, e não a um pacote de obras da concessionária para ampliar o terminal. A autorização para alguns projetos depende de análise do governo federal. Segundo a empresa, os empreendimentos podem gerar cerca de 3.860 empregos.

A Aena venceu em março o leilão para adquirir a concessionária por R$ 2,9 bilhões e assumiu a operação em outubro. Esse valor corresponde à compra da empresa responsável pelo aeroporto, não a investimentos em obras. O contrato de concessão segue até maio de 2039.

Recuperação da conectividade

O Galeão encerrou 2025 com cerca de 17,8 milhões de passageiros, dos quais 5,7 milhões em voos internacionais, segundo dados divulgados pela Aena. Para 2026, a concessionária projeta aproximadamente 19,4 milhões de passageiros. O aeroporto tem capacidade para atender até 37 milhões por ano, embora a ocupação dependa da demanda e da oferta de voos.

O movimento de retomada também inclui rotas inauguradas ou reforçadas ao longo do ano. A ligação direta entre Rio e Nova York, operada pela Gol, começou em julho com três voos semanais. A prefeitura do Rio criou um programa de incentivo para apoiar novas rotas internacionais, incluindo essa conexão.

Para que o Galeão se consolide como ponto de conexão nacional e internacional, a expansão anunciada terá de se converter em voos efetivamente operados e sustentados ao longo do tempo. A concessionária, o governo e as companhias aéreas terão de ajustar frequências à procura, enquanto a qualidade do serviço, a integração com outros aeroportos e o acesso terrestre também influenciam a escolha dos passageiros.

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