Na vila de Sunzhuang, em Penglou, no condado de Juancheng, na província de Shandong, o som suave da lâmina deslizando sobre o papel preenche o pequeno ateliê de Sun Jiling, de 52 anos. Com mãos calejadas pelo tempo e cheias de pequenas cicatrizes, ele transforma folhas coloridas em verdadeiras obras de arte, como sua nova criação — uma representação detalhada do parque Puxi, que terá seis metros de comprimento.
“Cada corte precisa ser preciso. O segredo é saber o que se quer antes mesmo de tocar no papel”, explica ele com calma, mostrando suas ferramentas modestas: algumas lâminas, pincéis e papel colorido. Com esses poucos materiais, Sun já criou peças como Cem Crianças Brincando, Prefácio do Pavilhão Lanting, e O Charme de Qingzhou, obras que tomaram meses de dedicação.

(Foto: Reprodução Heze)
Ex-trabalhador da construção civil, Sun largou os estudos ainda no ensino fundamental. Em 1997, durante os preparativos para o Ano Novo Chinês, um vizinho pediu que ele criasse um enfeite para um casamento. O primeiro caractere 囍 (“dupla felicidade”) que ele cortou no papel marcou o início de sua jornada artística. Desde então, entre jornadas de trabalho pesado durante o dia e noites dedicadas ao papel, ele se aprimorou, colecionando imagens e referências de jornais e revistas.


“Eu segurava a lâmina com mais naturalidade do que os próprios talheres”, relembra sorrindo.
Para melhorar suas técnicas de desenho, um passo essencial no processo do recorte em papel, ele viajou até Jingdezhen para estudar pintura clássica chinesa. Foram três meses intensos que elevaram seus esboços do nível artesanal ao artístico.
Mesmo com a popularização de máquinas de corte, Sun seguiu fiel à arte manual. Em 2000, deixou o emprego para trabalhar com entalhe em madeira. Quando os equipamentos industriais começaram a substituir o trabalho artesanal, ele precisou se reinventar. Passou a trabalhar com isolamento térmico durante o dia e, à noite, seguia firme com suas criações de papel.


“O recorte é todo feito com vazados. Se uma linha se rompe, a imagem perde o sentido”, explica, mostrando os delicados traços da obra Cem Crianças Brincando, onde cada rosto infantil é recortado com perfeição e minúcia.
Desde pequeno, Sun já se encantava com o desenho. No primeiro ano da escola, passava horas copiando as ilustrações dos livros didáticos em folhas de papel. Hoje, aquele hobby de infância virou técnica refinada e reconhecida.


À medida que a noite cai, o ateliê se ilumina e a silhueta do papel recortado se projeta na parede. Com concentração e firmeza, Sun continua a dar vida ao papel. Em um mundo dominado pela reprodução em massa, ele segue firme — transformando com as próprias mãos o tempo e a tradição em poesia visual.