Navio-plataforma P-78 deixa Singapura rumo ao Brasil e marca avanço em parceria Brasil-China no pré-sal

Nova unidade da Petrobras foi construída com participação chinesa e deve elevar em 18% a produção no campo de Búzios, o maior do mundo em águas ultraprofundas

(Foto: Reprodução / Divulgação / Petrobras)

O navio-plataforma P-78, da Petrobras, iniciou neste domingo (13) sua travessia rumo ao Brasil, partindo do estaleiro Benoi, em Singapura, com destino ao campo de Búzios, na Bacia de Santos. A operação, segundo comunicado oficial da estatal, antecipa em cerca de duas semanas o início das atividades da unidade, considerada estratégica para ampliar a produção de petróleo do pré-sal.

O P-78 é um FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo) com capacidade para produzir até 180 mil barris por dia e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos de gás. Quando entrar em operação, prevista para dezembro de 2025, a plataforma deve elevar em 18% a produção do campo de Búzios, levando o total para aproximadamente 1,15 milhão de barris diários.

Durante a travessia, o navio segue em regime de “rebocada tripulada”, ou seja, com sistemas ativos e equipe a bordo, permitindo a continuidade de testes e treinamentos. De acordo com a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, o cumprimento do cronograma reforça a capacidade da empresa em gerenciar projetos de grande porte com eficiência e segurança.

Participação chinesa no projeto

Um dos pontos que chama atenção é a participação internacional na construção do P-78, com forte presença da indústria chinesa. O casco da plataforma foi produzido em estaleiros das cidades de Yantai e Hayang, na China, além de Ulsan, na Coreia do Sul. Foi justamente nesses estaleiros que a integração dos blocos estruturais foi realizada.

Após essa etapa, o casco seguiu para Singapura, onde a empresa Seatrium concluiu a montagem e o comissionamento dos módulos superiores. Parte desses módulos, no entanto, foi construída no Brasil, no estaleiro Seatrium Angra dos Reis (antigo Brasfels), evidenciando o caráter global do projeto.

Para a Agência Brasil China, especialistas em logística e energia destacam que a cooperação com empresas chinesas em obras de grande porte, como no caso da P-78, reflete o nível de confiança e parceria estabelecido entre os dois países no setor de energia, especialmente no pré-sal.

“Os estaleiros chineses vêm assumindo papel relevante na entrega de plataformas e navios para o Brasil, sempre em articulação com empresas brasileiras. É um exemplo concreto de complementaridade entre as cadeias produtivas”, avalia Marcos Vieira, consultor da área de óleo e gás.

Campo de Búzios: protagonismo global

Localizado a cerca de 180 km da costa do Rio de Janeiro, o campo de Búzios já é considerado o maior do mundo em águas ultraprofundas, com profundidade de até 2,1 mil metros. Atualmente, seis plataformas operam na região: P-74, P-75, P-76, P-77, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré.

A chegada da P-78, segundo a Petrobras, consolida ainda mais a posição do Brasil como um dos principais produtores de petróleo em águas profundas e reforça a estratégia da companhia de explorar de forma sustentável as reservas do pré-sal.

O projeto inclui 13 poços interligados, sendo seis produtores (dois deles reversíveis para injetores), seis injetores WAG (injeção alternada de água e gás) e um injetor de gás, conectados por dutos rígidos e flexíveis.

Relação Brasil-China no setor de energia

O embarque do P-78 é mais um exemplo concreto da cooperação Brasil-China no setor de óleo e gás, área que vem ganhando espaço ao lado de outras já consolidadas, como agronegócio e infraestrutura.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, empresas chinesas participam hoje de consórcios em pelo menos seis projetos de exploração no pré-sal brasileiro, além de fornecerem equipamentos e tecnologias para plataformas e refinarias.

Para os próximos anos, a expectativa é de que essa relação se intensifique, impulsionada tanto por novas rodadas de leilões quanto pelos avanços tecnológicos em transição energética, incluindo hidrogênio verde e captura de carbono.

A Agência Brasil China seguirá acompanhando de perto a chegada da P-78 ao Brasil e o impacto desse reforço na produção de petróleo nacional, sempre trazendo os principais destaques dessa parceria estratégica para o público brasileiro e chinês.

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