Esculpir com precisão milimétrica sobre cascas de ovos, desenhando um universo dentro de um espaço mínimo — assim é a arte da escultura em ovos, conhecida como o “patrimônio cultural imaterial na ponta da lâmina”. Trata-se de um ofício tradicional que combina artes visuais e escultura, utilizando técnicas como relevo e vazado (openwork) para retratar figuras, flores, aves, paisagens e máscaras de ópera, revelando a sabedoria artesanal de “ver o grandioso no minúsculo”.
A escultura em ovos de Cao Zhou está entre os primeiros projetos de patrimônio cultural imaterial em nível distrital da Nova Área de Luxi, em Heze. Como herdeiro representativo dessa tradição, Lu Guoqiang domina técnicas como pintura colorida, cloisonné, relevo e a delicada escultura totalmente vazada — sendo especialmente conhecidos seus trabalhos em ovos de avestruz. Do polimento da casca e esboço inicial ao recorte minucioso, passando pela coloração e acabamento final, cada etapa transforma uma casca comum em uma obra tridimensional, detalhada e cheia de presença.
Ao entrar no ateliê de Lu Guoqiang, vitrines exibem uma coleção impressionante: peônias de cores vibrantes, flores e pássaros com penas tão finas que parecem prestes a saltar da superfície, caligrafias de traços firmes que evocam a força da tinta, além de padrões vazados que brincam com luz e sombra. As peças fazem da fragilidade do material a base de uma beleza delicada, sustentando o peso simbólico da cultura com a profundidade do trabalho artesanal.
Cada escultura é, ao mesmo tempo, um suporte vivo do patrimônio imaterial e um testemunho de persistência. Com o bisturi como instrumento e a casca como tela, Lu Guoqiang ajuda a tradição de Cao Zhou a ganhar novo brilho no presente — e faz com que essa “arte da fragilidade” se torne, paradoxalmente, cada vez mais resistente ao tempo.












