Cúpula de Wuzhen reúne 1.800 participantes e defende inteligência artificial aberta e inclusiva

A Cúpula de Wuzhen da Conferência Mundial da Internet (WIC, na sigla em inglês) começou em 3 de novembro, na província de Zhejiang, no leste da China, reunindo cerca de 1.800 participantes de 138 países e regiões. Com foco na inteligência artificial (IA) de código aberto e na cooperação internacional, o encontro debate como ampliar o acesso às novas tecnologias e construir um ambiente digital mais inclusivo.

Com o tema “Código Aberto e Abertura, Contribuição Conjunta e Benefícios Compartilhados — Construindo, em Conjunto, uma Comunidade de Futuro Compartilhado no Ciberespaço”, a edição de 2026 reúne autoridades governamentais, representantes de organizações internacionais, empresas de tecnologia, pesquisadores e desenvolvedores.

Na cerimônia de abertura, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu a inovação aberta, o compartilhamento de conhecimento e a transferência de tecnologia como caminhos para construir um ecossistema global de inovação digital. Segundo ele, a China pretende trabalhar com outros países para ampliar a cooperação tecnológica e os benefícios da transformação digital.

Li também destacou a necessidade de uma abordagem centrada nas pessoas, com atenção à segurança digital e à redução das desigualdades no acesso à tecnologia.

Código aberto como caminho para ampliar o acesso à IA

A inteligência artificial de código aberto permite que desenvolvedores e organizações tenham acesso a modelos e ferramentas para estudar, adaptar e criar novas aplicações. Dependendo das condições de licenciamento, essa abordagem pode reduzir custos e facilitar o desenvolvimento de soluções ajustadas às necessidades de diferentes países e setores.

Durante a abertura, Yolanda Díaz Pérez, segunda vice-primeira-ministra da Espanha e ministra do Trabalho e Economia Social, defendeu que a inteligência artificial seja desenvolvida de forma inclusiva e voltada ao bem-estar humano. Ela ressaltou que os benefícios da tecnologia devem estar disponíveis a todos.

Li Junhua, subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, também destacou a importância de transformar o princípio da abertura em resultados concretos, por meio da colaboração internacional.

A programação inclui discussões sobre a construção de um ecossistema global de IA de código aberto, interoperabilidade entre agentes inteligentes, robótica, inteligência artificial incorporada e segurança tecnológica.

DeepSeek e Qwen em exposição

A proposta de abertura tecnológica também está presente no Pavilhão de Experiência do Ecossistema de Código Aberto, inaugurado em 1º de novembro em Wuzhen. O espaço apresenta modelos e aplicações desenvolvidos por empresas e instituições chinesas, incluindo o DeepSeek, o Qwen, do Alibaba, e o modelo 021 Science Foundation, do Zhejiang Lab.

Um dos exemplos apresentados durante a cobertura do evento é o uso do Qwen pelo pesquisador Ernest Mwebaze, ex-cientista do Google, para desenvolver o Sunflower, sistema de inteligência artificial voltado à orientação de agricultores em Uganda.

A ferramenta oferece informações sobre condições climáticas e práticas agrícolas em idiomas locais. Segundo Mwebaze, a escolha do modelo levou em consideração sua capacidade de processar essas línguas, os custos de utilização e a possibilidade de personalização.

O caso ilustra como modelos de código aberto podem ser adaptados para atender a necessidades específicas de países e comunidades, inclusive em regiões onde ferramentas desenvolvidas para os principais idiomas internacionais nem sempre oferecem resultados adequados.

Desigualdade digital e governança internacional

A redução da desigualdade no acesso à inteligência artificial é outro eixo central da cúpula. Em seu discurso, Li Qiang afirmou que os países em desenvolvimento, especialmente os do Sul Global, precisam receber atenção nas discussões sobre a distribuição dos benefícios da transformação digital.

Entre as medidas defendidas estão a ampliação da infraestrutura digital, a formação de profissionais e o fortalecimento das capacidades tecnológicas locais. O objetivo é evitar que a expansão da IA aprofunde diferenças econômicas e tecnológicas entre países.

A governança da internet também integra a agenda. As discussões abordam a segurança cibernética, o uso responsável das tecnologias e a necessidade de diálogo multilateral para lidar com diferentes modelos nacionais de regulamentação.

A programação da edição de 2026 inclui 27 fóruns temáticos, além de exposições e atividades voltadas à inovação. A cúpula segue até 5 de novembro.

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