A capacidade instalada de energia eólica e solar da China ultrapassou 2 bilhões de quilowatts, segundo informações divulgadas pela agência estatal Xinhua em 28 de outubro. O marco reflete a expansão das fontes renováveis no sistema elétrico chinês e o peso que essas tecnologias passaram a ocupar na estratégia energética do país.
O avanço também tem relação com o Brasil, onde a energia solar e a eólica vêm ampliando sua participação na geração de eletricidade e empresas chinesas atuam em projetos de geração e infraestrutura elétrica. A conexão entre os dois mercados envolve tanto investimentos em usinas e redes de transmissão quanto a presença de equipamentos e tecnologias chinesas no setor energético brasileiro.
China amplia a escala da energia renovável
A expansão da capacidade eólica e solar faz parte dos esforços chineses para diversificar a matriz energética e reduzir a intensidade de carbono da economia. O país combina a instalação de grandes parques de geração com investimentos industriais em painéis fotovoltaicos, turbinas eólicas, baterias e outros equipamentos necessários à transição energética.
O crescimento ocorre em uma escala expressiva. A capacidade instalada combinada de energia eólica e solar ultrapassou 1,2 bilhão de quilowatts antes de 2025 e continuou avançando com a instalação de novos projetos. Em seu plano para o período de 2026 a 2030, a China estabeleceu a meta de elevar essa capacidade para mais de 2,8 bilhões de quilowatts até 2030.
A expansão da infraestrutura de geração, no entanto, exige investimentos complementares em transmissão, armazenamento e gestão da rede elétrica. Como a produção solar e eólica varia de acordo com as condições climáticas, a integração dessas fontes depende da capacidade de transportar a eletricidade até os centros consumidores e equilibrar a oferta e a demanda.
Brasil também amplia a geração solar e eólica
No Brasil, as duas fontes registraram crescimento em 2025, segundo o Balanço Energético Nacional 2026, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
A capacidade instalada de geração solar fotovoltaica chegou a 64,8 gigawatts, aumento de 33,7% em relação ao ano anterior. A potência instalada de energia eólica alcançou 34,7 gigawatts, crescimento de 17,5%.
Juntas, as fontes solar e eólica responderam por 26,4% da geração de eletricidade brasileira em 2025. No mesmo período, as fontes renováveis representaram 86,8% da matriz elétrica nacional, que também conta com participação significativa da geração hidrelétrica.
Embora os dois países tenham características distintas, a expansão das energias renováveis cria pontos de contato entre seus setores elétricos. O Brasil dispõe de recursos solares e eólicos abundantes, especialmente no Nordeste, enquanto a China possui uma cadeia industrial de grande escala para a produção de equipamentos e tecnologias utilizados nesses projetos.
Investimentos chineses conectam os dois mercados
A presença de empresas chinesas no setor elétrico brasileiro vai além da venda de equipamentos. Grupos como China Three Gorges (CTG), State Power Investment Corporation (SPIC), China General Nuclear (CGN) e State Grid atuam em diferentes segmentos, incluindo geração de energia e transmissão.
Um estudo publicado em setembro de 2026 pelo Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento estima que empresas estatais chinesas investiram US$ 22,33 bilhões no setor elétrico e de transmissão brasileiro entre 2014 e 2025. O levantamento inclui projetos de energia eólica, solar e hidrelétrica, além de infraestrutura de transmissão.
A State Grid, por exemplo, opera no setor de transmissão e participa de projetos destinados a ampliar a capacidade de transporte de eletricidade no país. Em outubro de 2026, a empresa apresentou ao Ministério de Minas e Energia a intenção de investir mais R$ 200 bilhões no setor elétrico brasileiro. Trata-se de uma intenção anunciada, e não de um montante já integralmente investido ou contratado.
Os investimentos podem contribuir para ampliar a capacidade de geração e melhorar a infraestrutura necessária à integração das fontes renováveis. Ao mesmo tempo, o efeito sobre a indústria brasileira depende de fatores como a contratação de fornecedores locais, a formação de profissionais, a transferência de tecnologia e a instalação de atividades produtivas no país.
O estudo do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento observa que, embora os investimentos chineses tenham ampliado a infraestrutura elétrica brasileira, os benefícios para o desenvolvimento tecnológico e industrial local ainda são limitados. Parte relevante da cadeia de equipamentos e da produção de maior valor agregado permanece concentrada na China.
A expansão da capacidade eólica e solar chinesa, portanto, tem implicações que ultrapassam o mercado doméstico do país. No Brasil, a relação aparece tanto na participação de empresas chinesas em projetos de energia quanto nos desafios de aproveitar esses investimentos para fortalecer a infraestrutura e a produção nacional.



