A China afirmou nesta quinta-feira (22) que não existe “zona cinzenta” na questão de Taiwan e pediu que as Filipinas respeitem, com ações concretas, o princípio de Uma Só China. A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, em resposta a uma pergunta da agência Reuters sobre a possibilidade de Manila ampliar a cooperação com Taiwan para proteger cabos submarinos e enfrentar atividades classificadas como de “zona cinzenta”.
“A parte filipina deve respeitar o princípio de Uma Só China com ações concretas”, afirmou Mao. A porta-voz acrescentou que as interações externas da região chinesa de Taiwan devem ser conduzidas em estrita conformidade com esse princípio.
A declaração reflete a oposição de Pequim a iniciativas que envolvam contatos oficiais ou cooperação institucional entre Taiwan e governos que mantêm relações diplomáticas com a República Popular da China. Para o governo chinês, esse tipo de aproximação deve respeitar sua posição de que Taiwan faz parte de seu território.
Cabos submarinos e segurança regional
A pergunta da Reuters mencionou que as Filipinas estudavam aprofundar a cooperação com Taiwan para proteger cabos submarinos e lidar com atividades de zona cinzenta. Esses cabos são componentes essenciais da infraestrutura global de telecomunicações, transportando grande parte do tráfego internacional de dados.
A proteção dessas estruturas ganhou relevância estratégica na região do Indo-Pacífico, onde disputas marítimas e tensões políticas aumentam as preocupações com a segurança de infraestruturas críticas. A cooperação entre autoridades pode envolver compartilhamento de informações, prevenção de incidentes e fortalecimento da capacidade de resposta a danos ou interrupções.
O conceito de “zona cinzenta” costuma ser utilizado em análises de segurança para descrever ações de pressão ou coerção que ficam abaixo do limiar de um conflito armado declarado. Essas atividades podem incluir operações marítimas, pressão diplomática, medidas econômicas e outras iniciativas destinadas a alterar comportamentos ou ampliar influência sem recorrer diretamente à guerra.
Na resposta divulgada nesta quinta-feira, Mao Ning não detalhou quais atividades específicas de Taiwan ou das Filipinas seriam consideradas uma violação do princípio de Uma Só China. A declaração concentrou-se na exigência de que as interações externas de Taiwan respeitem a posição de Pequim.
A posição chinesa sobre Taiwan
A China considera Taiwan parte inalienável de seu território e defende a reunificação nacional. O governo da República Popular da China também sustenta que é o único governo legítimo representante de toda a China.
Taiwan, por sua vez, é governada separadamente desde 1949, possui governo próprio, forças armadas e instituições políticas próprias. A ilha é uma democracia autogovernada, embora Pequim reivindique sua soberania e se oponha a iniciativas que considera favoráveis à independência taiwanesa.
O princípio de Uma Só China é central nas relações diplomáticas de Pequim. A China exige que países com os quais mantém relações oficiais respeitem esse princípio e se opõe a contatos que interprete como reconhecimento de Taiwan como entidade política soberana.
As interpretações sobre o alcance desse princípio, especialmente em relação à participação internacional de Taiwan e aos contatos não oficiais, são objeto de divergências diplomáticas. A declaração chinesa desta quinta-feira reafirma que Pequim não considera essas interações uma área de ambiguidade aceitável.
Filipinas entre a cooperação regional e as relações com Pequim
As Filipinas mantêm relações diplomáticas com a República Popular da China e seguem sua própria política de Uma Só China, mas também enfrentam tensões com Pequim em disputas marítimas no Mar do Sul da China. Manila tem buscado fortalecer suas capacidades de segurança e ampliar a cooperação com parceiros regionais em áreas estratégicas.
A possibilidade de colaboração com Taiwan para proteger cabos submarinos acrescenta uma dimensão tecnológica e de segurança à relação entre as partes. A infraestrutura de comunicação é particularmente importante para economias conectadas a redes internacionais de dados, serviços financeiros e comércio digital.
A resposta chinesa não anunciou novas medidas contra as Filipinas, mas reiterou que Pequim espera que Manila considere o princípio de Uma Só China em suas relações externas com Taiwan.
A evolução desse tema dependerá das decisões filipinas sobre a cooperação em segurança de infraestrutura, da resposta de Taiwan e das relações diplomáticas entre Manila e Pequim. A declaração do Ministério das Relações Exteriores chinês deixa clara a oposição do governo a iniciativas que, em sua avaliação, contrariem o princípio de Uma Só China.



