O consumo de café no Brasil registrou uma retração significativa de 16% no último período analisado, segundo dados da indústria. A queda — atribuída principalmente ao impacto da inflação nos alimentos, mudanças nos hábitos de consumo e à desaceleração econômica — acendeu o alerta entre produtores, torrefadores e exportadores. Ao mesmo tempo, o setor vê na China uma oportunidade estratégica para compensar parte da demanda perdida no mercado doméstico.
Embora o Brasil ainda seja o segundo maior consumidor mundial da bebida, atrás apenas dos Estados Unidos, o recuo recente contrasta com anos anteriores de crescimento constante. Com a inflação pressionando o bolso do consumidor e mudanças de comportamento pós-pandemia, muitos brasileiros passaram a reduzir o consumo fora de casa, o que impactou diretamente cafeterias, restaurantes e padarias — canais importantes para o escoamento de cafés especiais.
Diante desse cenário, os olhos do setor se voltam para o mercado externo. E a China surge como um destino cada vez mais relevante. Embora o país asiático ainda esteja longe dos grandes consumidores tradicionais de café, seu mercado é promissor e está em franca expansão. Nos últimos cinco anos, o consumo per capita de café na China quase dobrou, puxado principalmente pelo público jovem urbano e pela popularização das cafeterias de grandes redes internacionais e locais.
O Brasil, como maior produtor e exportador mundial de café, tem ampliado sua presença na China com campanhas promocionais, parcerias com empresas de torrefação e programas de cooperação agrícola bilateral. Em 2023, o volume de café exportado do Brasil para a China ultrapassou 100 mil toneladas, crescimento que deve continuar nos próximos anos com o avanço de acordos comerciais e ações de posicionamento da marca “Café do Brasil”.
Especialistas avaliam que, diante da estagnação no mercado interno, o fortalecimento das exportações para países como a China será essencial para manter a sustentabilidade da cadeia cafeeira brasileira. Além disso, há expectativa de que o café brasileiro conquiste espaço também no segmento de produtos premium, com grãos especiais, rastreabilidade e apelo ambiental — atributos valorizados por consumidores chineses de classe média e alta.
Com esse novo ciclo de transformações, a parceria Brasil-China se consolida também no campo do café, unindo tradição produtiva a novas demandas de mercado e contribuindo para a internacionalização de um dos símbolos mais fortes da cultura brasileira.
[…] Fonte: Agência Brasil China […]