Conselheiro de Segurança Nacional de Biden visitará o Brasil na semana que vem

Washington quer o banimento da gigante chinesa Huawei da lista de fornecedores de equipamentos para a rede 5G. As pressões começaram no governo do ex-presidente Donald Trump e permanecem com Biden, apesar de as regras já anunciadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) permitirem a participação da empresa de telecomunicações chinesa no leilão para a instalação da rede.

No início de julho, o assunto foi tratado durante uma visita do diretor da CIA, William Burns, ao Brasil. Burns — diplomata veterano que, em 2015, foi um dos negociadores do acordo nuclear entre Irã, EUA e outras grandes potências — se reuniu com autoridades brasileiras, incluindo o presidente Jair Bolsonaro.

A participação do Brasil como membro rotativo do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com um mandato de dois anos que começa a ser cumprido em 1º de janeiro de 2022, deverá fazer parte da agenda de Sullivan em Brasília.

A presença dos EUA no mundo com a nova política externa de Biden, as relações bilaterais, o aquecimento global e a conjuntura política no Hemisfério, com destaque para Cuba e Venezuela, também serão abordados, afirmou uma fonte do governo brasileiro.

Os EUA já demonstraram que estão dispostos a endurecer ainda mais com Cuba e anunciaram sanções a funcionários cubanos que acusam de violar os direitos humanos durante os protestos recentes na ilha caribenha. Havana culpa o embargo econômico americano pela insatisfação geral naquele país, cuja economia, dependente do turismo, foi fortemente afetada pela pandemia da Covid-19.

No início desta semana, o Brasil foi um dos 20 países que aderiram a um comunicado lançado pelo secretário de Estado americano, Anthony Blinken, condenando a repressão a manifestantes em Cuba. O documento, no entanto, não teve o endosso de vários países latino-americanos, incluindo Argentina, Chile, Peru e México. No mesmo dia, o governo mexicano pediu o fim do embargo dos EUA à ilha.

No caso da Venezuela, o governo de Nicolás Maduro não mantém relações com os Estados Unidos, a Colômbia e o Brasil desde que esses países, juntamente com outros atores internacionais, decidiram reconhecer o dirigente opositor Juan Guaidó como “presidente interino”, ao considerarem fraudulenta a reeleição de Maduro em 2018.

No entanto, os EUA, assim como o Brasil, acompanham a mais recente tentativa de negociação entre Maduro e os opositores, que deverá ocorrer no México em agosto, com mediação da Noruega.

A visita ao Brasil de um membro do primeiro escalão da equipe de Biden mostra que há disposição de Washington para uma reaproximação com o governo do presidente Jair Bolsonaro. As relações de Brasília com Washington foram abaladas logo após a eleição de Biden, no final do ano passado. Bolsonaro apoiou Trump publicamente, várias vezes, quando o então presidente dos EUA alegava falsamente ter sido vítima de fraude eleitoral.

Sullivan deve se reunir com o chanceler Carlos França e o ministro da Defesa, Braga Netto, segundo informações extraoficiais. Também está prevista uma audiência do conselheiro de Segurança Nacional dos EUA com Jair Bolsonaro.

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