Em mais um capítulo da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, autoridades chinesas afirmaram que as tentativas de Washington de conter o desenvolvimento da indústria de semicondutores do país não surtiram o efeito desejado e tampouco terão êxito no futuro. A declaração reflete a crescente confiança de Pequim em sua capacidade de liderar setores estratégicos, como inteligência artificial, computação de alto desempenho e manufatura avançada de chips.
Nos últimos anos, os EUA têm imposto sanções, restrições comerciais e limitações de exportação de equipamentos e insumos para empresas chinesas do setor de tecnologia, com foco em gigantes como Huawei e SMIC. No entanto, mesmo diante dos bloqueios, a China acelerou a mobilização de investimentos estatais e privados, fomentando um ecossistema tecnológico cada vez mais autônomo e competitivo.
De acordo com fontes oficiais, o país já registrou avanços significativos na produção de chips de 7 nanômetros e planeja alcançar, até o fim da década, a autossuficiência em componentes críticos para aplicações civis e militares.
Para o Brasil, esse movimento tem implicações diretas. À medida que a China fortalece sua cadeia produtiva doméstica, aumentam as oportunidades de cooperação em transferência de tecnologia, pesquisa aplicada e fabricação de dispositivos eletrônicos. A relação bilateral — que já avança em áreas como 5G, energia renovável e carros elétricos — pode se expandir ainda mais com parcerias no campo da microeletrônica.
Empresas brasileiras do setor de tecnologia e inovação vêm acompanhando de perto as transformações na indústria chinesa, com interesse crescente em alianças produtivas, desde a montagem de semicondutores até projetos conjuntos em inteligência artificial e automação industrial.
No contexto geopolítico, o posicionamento chinês também representa um contraponto à crescente polarização promovida pelos EUA no setor tecnológico. Ao defender uma ordem multipolar e aberta à inovação global, a China reafirma sua estratégia de cooperação Sul-Sul, com destaque para países emergentes como o Brasil.
Pequim deixou claro que continuará investindo de forma consistente no setor de chips, com apoio robusto de políticas públicas, fundos soberanos e estímulo à formação de talentos. A mensagem ao mundo é clara: a China pretende não apenas alcançar, mas moldar o futuro da indústria global de semicondutores — com ou sem a permissão de Washington.