China e Rússia criticam EUA por veto da resolução brasileira na ONU: ‘profunda decepção’

Pequim e Moscou priorizam fim imediato da guerra, mas apesar de amplo apoio entre países - 12 votos de um total de 15-, texto foi barrado; chanceler russo acredita que consulta 'continuará‘

Quatro torres residenciais destruídas pelos ataques israelenses em Al-Zahraa, na Faixa de Gaza. (Foto: Twitter/State of Palestine)

Após o veto dos Estados Unidos, a China expressou sua “profunda decepção” pelo veto dos Estados Unidos à resolução sobre o conflito entre Israel e Hamas apresentada pelo Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

O texto foi votado na última quarta-feira (18/10) e contou com amplo apoio – 12 votos, de um total de 15 -, mas acabou barrado pelos EUA, que têm poder de veto, enquanto Reino Unido e Rússia se abstiveram.

“A China está profundamente decepcionada com a obstrução dos Estados Unidos à adoção por parte do Conselho de Segurança de um projeto de resolução sobre a questão palestina”, disse nesta quinta-feira (19/10) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim, Mao Ning.

Segundo ela, o órgão deveria poder “desempenhar seu papel para alcançar um cessar-fogo e interromper a guerra”.

De acordo com o canal Al Jazeera, a Rússia também criticou o veto da resolução. Nesta quinta-feira (19/10), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, alertou que o conflito em Gaza corre risco de se transformar em uma crise regional.

O diplomata avalia que a melhor alternativa para impedir o agravamento da guerra é uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que apele pelo fim imediato das “hostilidades” para todos os países.

“Quais são as perspectivas? Presumo que a consulta aos países interessados continuará. O Egito está tomando a iniciativa. Gostaríamos de ver uma desescalada na Faixa de Gaza”, disse Lavrov.

A resolução brasileira condenava os “hediondos ataques terroristas” do Hamas contra Israel e exigia a “libertação imediata e incondicional de todos os reféns civis”, além de pedir “pausas humanitárias” para permitir “acesso total, rápido, seguro e sem obstáculos” de agências da ONU em Gaza.

Além do Brasil, presidente rotativo do Conselho de Segurança, também votaram a favor da resolução: Albânia, China, Emirados Árabes Unidos, Equador, França, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique e Suíça.

O texto foi alvo de intensas negociações nos últimos dias, porém não convenceu os EUA devido à ausência de uma menção ao direito de defesa de Israel.

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